Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comA participação do Comitê de Design da Abre na Fispal 2002 não foi marcada apenas pela iniciativa única e inovadora de ter um pavilhão próprio — o Fispal Pack Design Show —, no qual 16 agências brasileiras de design de embalagem puderam mostrar seus mais recentes projetos e provar, de uma vez por todas, que o nível dos trabalhos nacionais se encaixa nos mais exigentes padrões internacionais.
Aproveitamos a ocasião para apresentar uma pesquisa igualmente inédita. Pela primeira vez na história da indústria brasileira de embalagem foi realizada uma pesquisa para radiografar a área de design. Das 37 agências de design de embalagem integrantes do Comitê da Abre, 30 foram entrevistadas.
Além dos resultados propriamente ditos, essa pesquisa nos ajudou a perceber o nível de amadurecimento e de organização desse segmento no Brasil. Sabemos que o design de embalagem surgiu no País por influência da cultura de marketing importada pelas multinacionais e que tem sido impulsionado por duas vertentes: a sofisticação do varejo e aumento de competitividade entre as marcas, bem como as novas opções de materiais e de tecnologias de produção, impressão e acabamento.
Essas tendências são claramente identificadas na pesquisa. Segundo ela, 70% da receita líquida das agências pesquisadas ainda provém de trabalhos feitos para multinacionais; 25% é oriundo de grandes empresas nacionais; e 5%, de pequenas e médias empresas nacionais.
Com essa pesquisa, outro objetivo do Comitê é conscientizar as empresas, especialmente as brasileiras, de que design de embalagem é importante para qualquer negócio, independentemente de seu tamanho, já que a boa embalagem pode agregar valor ao produto e melhorar seu nível de competitividade.
As agências brasileiras realizam cerca de 30 projetos ao ano, sendo que 15% executam mais de 50 projetos nesse período. Outro ponto interessante é que 50% desses projetos são de criação de uma outra comunicação visual, enquanto 33% visam a adaptação de uma embalagem existente e 17%, a criação de um diferente formato de embalagem. As embalagens nacionais respondem por 70% desses projetos, enquanto as adaptações de invólucros estrangeiros ficam com os 30% restantes.
A pesquisa também revelou que o lançamento de marcas já não é mais um boom, como foi no passado. Apenas 30% dos projetos encabeçados pelas agências do Comitê de Design tratam de lançamentos; os outros 70% são trabalhos sobre marcas já existentes. Isso também revela que a prática de extensão de linha de produtos com a mesma marca é a mais freqüente. No entanto, sabemos que há espaço e oportunidades no mercado para novos produtos de consumo.
Extrapolando os dados obtidos na pesquisa, concluímos que os serviços de design de embalagem movimentam, hoje, cerca de US$ 48 milhões ao ano, o equivalente a 0,4% do faturamento da indústria de embalagem no Brasil previsto para este ano. Esse universo deve girar ao redor de 200 empresas, escritórios e agências de design.
Especificamente no caso das 30 agências pesquisadas pelo Comitê, sabe-se que 36% delas faturam até R$ 500 mil ao ano e apenas 7% superam a marca de R$ 1,5 milhão anual. Além disso, trata-se, na sua maioria, de empresas jovens (46% têm entre dois e cinco anos de vida) e pequenas (38% possuem entre 10 e 15 funcionários).
Estas e todas as demais ações do Comitê de Design da Abre só reforçam um ponto: o setor está caminhando rapidamente para um amadurecimento pleno, até porque ele já está devidamente organizado e profissionalizado. Mais informações no site www.comitededesign.abre.org.br ou comitededesign@abre.org.br.
comitededesign@abre.org.brManoel Muller é sócio-diretor da Müller Associados e coordenador do Comitê de Design da Abre