Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comLonge de bancar o Toscani e malhar publicidade. Prefiro malhar a maior praga dos tempos modernos, a informação inútil. Seja por meio da mídia tradicional sem permissão, seja pelo modo digital dos telefones, e-mails etc. e tal. A informação em quantidade, sem critério, não é conhecimento, é bobagem mesmo. Culturinha de mensagem de pastel.
Desde criança, me perguntava, e ainda me pergunto, o motivo por que o avião informa a temperatura externa quando está em movimento. Será que alguém pensa em dar uma voltinha do lado de fora? Ou seria o modo lúdico de tirar nossa atenção com o fato de ficarmos horas sentados, feito idiotas, usando facas de plástico oriundas da paranóia do 11 de setembro?
Ah, informação inútil, quanta atrocidade é feita em seu nome! Por exemplo, o bom Google seria excelente, mereceria uma placa "só Google salva" se não existissem os malditos blogs. Você vai fazer uma busca e cai num sem-número de blogs onde as pessoas buscam seus 15 minutos de fama e lotam a net com questões pessoais, no estilo "meu querido diário". Isto sem falar nos fotologs, mas sobre estes é melhor o silêncio mesmo. Um filtro para evitar que caíssemos nos blogs e flogs seria uma excelente opção para os sites de busca. O.k., há alguns blogs bons, eu acredito, assim como óvni. Pode existir, e com vida inteligente, apenas eu não vi um. Ainda.
E nessas inutilidades do mundo moderno, entrei ontem no orkut, não sei para que serve, mas entrei. Depois de recusar uma série de convites, entrei. Parece o jogo do Kevin Bacon. Ainda não me familiarizei. Achei lento, mas tem um aspecto positivo. O orkut demora tanto que faz a gente entrar numa onda retrô da época das conexões de modem de 56. Vocês lembram? Pois este filho bastardo do Google parece daquele tempo. Só falta aquele barulhinho da conexão. Bons tempos, parece que foi ontem. Pode até ter sido, mas a gente nem se lembrava mais de como era lento o modem.
Fiquei impressionado com a quantidade de brasucas. Em lá chegando, soube que rola um preconceito com nossa invasão. Numa "comunidade" gringa que entrei (não posso ouvir a palavra "comunidade" sem me lembrar da Leci Brandão), recebi quatro mensagens, duas eram de brasileiros. No estilo maracá, "ha ha, hu hu, o orkut é nosso", ou ficando mais moderno, "Poeira, levantou poeira".
Como ainda não entendi o orkut, não pude compreender a razão do sucesso no Brasil, porém a grande dúvida de um neófito: será que o orkut não se tornará numa megafonte de spam?
Depois de termos nos preocupado com o lixo espacial e com o lixo nuclear, vem a recente preocupação: o lixo digital.
gutograca@b2mediagroup.comGuto Graça (gutograca@b2mediagroup.com) é diretor do B2G Media Group.