Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comDizem, hoje em dia, que eu preciso ser um cara bem informado. Daí vem todo um "lero" de que os tempos mudaram, de que o velho mundo agora é outro e que, finalmente, somos agora seres globalizados; ou será gomalisados (lembra dos tempos da brilhantina, digo gomalina?). É isso mesmo: estamos todos pasteurizados, socialmente corretos, cheirando a botox e muito chatos por sinal!
O que vale mais a pena nesta tal vida moderna?
Uma noite de ciclo avançado de gestão de negócios num MBA badalado, ou sentar os glúteos naquele velho sofá cheio de história pra contar e assistir a novela do plim-plim? Ler a revista Bravo ao som de Britney Spears, ou folhear a revista Caras numa bela "patente" almofadada? Tentar achar alguma graça na cara de cera da Ana Paula Padrão e as últimas notícias da noite, ou simplesmente relaxar com o Zé Colméia e o Catatau num dos "cartuns" de plantão?
Acho que resolveram catalogar como sendo cultura útil tudo aquilo que já serviu como progresso do mundo. Aí veio o prelo de Gutemberg, a lâmpada do Edison, o carro do Ford, o avião do Dumont ou dos irmãos Wrigth (como queiram), chegando finalmente ao sistema operacional do Gates. Os políticos, então, criaram o socialismo pra "tapar" a boca do povo e o capitalismo pra encher o bolso do mesmo povo; era só uma questão de bandeira ou nacionalidade? E os publicitários, o sonho de consumo que trocou o ócio natural da humanidade pelo cartão de crédito e cheque especial, que os banqueiros agradecem contritos até hoje e por toda a eternidade (se houver, é claro!).
O nosso ‘‘planeta azul’’ está meio perdido entre as falas e os fatos!
Bem, se o negócio é escolher de que lado ficar, afinal as pessoas acabam sempre dividindo tudo o que existe em dois, e se o tal mundo moderno está meio perdido entre as falas e os fatos, eu gostaria mesmo é de ver mais: artistas, revolucionários, loucos, mágicos, sonhadores e gurus tentando trocar as regras de conduta de uma sociedade banalizada pelo "ganho" sem medida, ou pelo poder que decide por si só no mundo quem é do bem ou do mal, por "inutilidades" que fizessem o ser humano voltar a ter espírito e vontade própria pra tentar fazer de novo, o novo e velho também; afinal de que serve o "tudo" quando não temos quase mais nada?
Talvez um dicionário em lugar de um barril de petróleo, ou então uma prosa a uma viagem a Marte, uma rima vazia a uma teoria cheia, uma canção qualquer a uma fórmula precisa, uma pessoa viva a uma constelação vazia. Enfim, uma vontade de viver minha identidade a continuar acreditando que um dia, com a idade, a gente vai acabar é ganhando maturidade.
Precisamos resgatar as velhas e boas confrarias de idéias!
Uma coisa é certa: chega de progresso! Quero mais é saber os nomes e vontades de meus vizinhos do que "poupar" pra encarar um novo Pentium que vem por aí. E depois que eu estabelecer uma grande "confraria" de idéias que me façam voltar a sorrir e sonhar novamente, que aí venha o "tudo mais", com o nome que for, o sabor que tiver e o gesto que puder. Você já pensou se pudéssemos resgatar um pouco da cultura do pensamento da era grega? Talvez não faríamos tanta bobagem com o tal capital especulativo, que corre à mercê do lucro numa grande ciranda de sorte, ou então de informações privilegiadas (é claro!), e correríamos pra valer ao encontro do capital produtivo, este sim, capaz de gerar riqueza e empregos, que é mesmo o que o Brasil, ou por que não o mundo precisa?
O que vale mais pra história da civilização: um homem ou uma vaca?
Se toda utilidade do mundo estivesse centrada no prazer do ser humano, uma vaca européia não ganharia como subsídio a bagatela de quase US$ 1.000 por ano! E também a renda per capita anual de países setentrionais ao deserto do Saara, na África, não seria a fortuna de US$ 450! Depois disso, deixa eu correr pra não perder o bonde da história. A estória que todos nós queríamos que fosse a real e verdadeira; bem, essa fica pra depois!
rlocher@uol.com.brRony Locher é palestrante e âncora do Jornal Jovem Pan 1ª Edição