Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comVou recorrer aos excelentes restaurantes da família Fasano para exemplificar as diferenças nos orçamentos de produtoras de filmes publicitários. Vamos começar pela cozinha, pois é lá que está o cerne da questão, visto que as quatro casas comandadas pelos Fasano estão localizadas no mesmo bairro, têm excelente atendimento e ambiente da melhor qualidade.
O que estabelece os quatro padrões de preço é sobretudo o nível do "chef de cuisine", sua equipe e a qualidade dos ingredientes empregados nos pratos.
O preço dos ingredientes é totalmente objetivo, matemático, de apuração óbvia. O da mão-de-obra não é tão fácil. É o preço do talento, determinado por um histórico de sucesso, normalmente calcado no binômio genialidade com responsabilidade. E é também assim que se dão as diferenças de custos nos filmes publicitários.
Na cozinha de uma produtora pode-se utilizar ingredientes de preços completamente distintos, a começar pelos de aspectos mais evidentes, como a forma de captação das imagens: em vídeo, 16 mm ou 35 mm; até aspectos mais sutis, de percepção difícil para um leigo, como por exemplo o consumo de negativo. Este é um dos itens pesados de um orçamento.
As diferenças podem ser tanto no número de vezes que cada cena prevista no roteiro é rodada quanto no tipo de equipamento de câmera utilizado.
Aí a diferença vai dos tradicionais 24 fotogramas por segundo aos 2.000 fotogramas por segundo consumidos por uma Photosonic, ou seja, um consumo 83 vezes maior para a mesma cena filmada.
Considerando-se que uma lata de negativo 35 mm processada custa ao redor de US$ 500, você pode avaliar o quanto este item, extremamente técnico, pode afetar o preço de um filme.
E é óbvio que esta brutal diferença no consumo de negativo resulta numa também brutal diferença na qualidade de definição das cenas filmadas.
Por considerar desinteressante para quem não é do ramo, vou me ater a este exemplo, mas, com certeza, poderia preencher uma edição inteira da About com outras analogias.
A excelência da equipe técnica e artística, a começar pelo diretor, também interferirá no preço do filme, tal qual o "chef de cuisine" ajuda a determinar o nível e o preço do restaurante.
Podemos identificar vários patamares de cachês distintos nos profissionais de cinema. O que determina a diferença é o talento, a experiência e a responsabilidade, que, conjugados, acabam por promover uma avaliação calcada na lei da oferta e da procura.
Assim, cabe à agência e ao cliente decidirem, com critério, que tipo de filme estão querendo. Se é um especialíssimo, um sofisticado, um casual ou uma coisa rápida, sem maior compromisso.
Só não pode, por favor, é fazer concorrência de preço entre o Fasano e o América, o Parigi e o McDonald´s. São empresas sérias, mas em segmentos distintos, com custos absolutamente diferentes.
Bon appetit!
rauldoria@cine.com.brRaul Dória é sócio-diretor da Cine e membro da diretoria da Apro