Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.com

PRODUÇÃO

30/09/2002 20:05

Efeitos especiais

Raul Dória

Um dos assuntos mais intrigantes hoje em dia na produção de cinema é a utilização de efeitos especiais. Principalmente os que não são percebidos. Estes poupam milhares de dólares na produção, gerando o mesmo impacto visual. Foi esse recurso que formou uma das duplas mais bem-sucedidas de Hollywood: Steven Spielberg e George Lucas.
Para falar sobre esse assunto, convidei o especialista Rodolfo Patrocínio, diretor-geral da Digital 21.
O termo renascença significa nascer novamente ou ressurgir.
Giotto fora referência desse magnífico período da história da arte. Quando queriam elogiar um artista, diziam que sua obra era tão boa quanto a arte de Giotto.
Nesse mesmo período, dos “conquistadores da realidade”, os nomes mais ilustres da arte na Idade Média começaram a despontar. Jan Van Eyck explorou os métodos dos irmãos Limbourg, a fim de levá-los a tal acume de perfeição que deixou para trás — bem para trás — as idéias da arte medieval. No Gótico, os Limbourg adoravam encher de pormenores suas obras, sempre captando atentamente o real. A realidade encontra, agora, seus “mercenários”, os ídolos que tentamos denominar perfeitos.
Piero Della Francesca e tantos grandes mestres (denominador comum a todos) enveredaram pelos caminhos do novo conceito do real.
Antonio Pollaivolo — já estamos no século XV — contribui instruindo pupilos a apreciar os detalhes de seu trabalho. As inovações em todos os campos do saber, o homem como o centro do universo e tudo girando em torno dele. A perspectiva aponta o profundo caminho novo da arte, adornado pelos mais delicados e complexos afrescos.
Sandro Botticelli dá luz à sua Vênus. Assim, o verdadeiro nascimento de Botticelli foi o renascimento do mito.
E mais tarde, não tão tarde, Leonardo da Vinci, estudioso de plantas e animais curiosos, não contente com o que os sábios pregavam, devastou, ínclito, por todas as áreas, encontrando respostas, gerando polêmicas, criando, errando (sim, Leonardo também errou) e inventando. Da Vinci muda a história da arte, da humanidade e até do urbanismo!
Dentre a possibilidade de mudança no mundo do Renascimento, mundo dos homens, outro “semideus” toca com toda a força e poder a história.
O florentino Miguel Angelo Buonarroti, discípulo de Guirlandajo, sem necessidade de apresentação, estabeleceu, de maneira radical, as regras no jogo dos mecenas e patrocinadores. Criador, modificador e destruidor, num passe de magia. Magia pode ser o resultado nos humanos, quando admiramos seus feitos.
Entretanto, em meu superficial e modesto conhecimento, é no Maneirismo que deslumbramos o toque mágico de Miguel Angelo. Ali, todo o poder do artista, do gênio e perverso homem encontra a alma.
O Maneirismo finca, no momento mais sólido do antropocentrismo do Renascimento, os valores abstratos dos artistas e da sociedade como um todo.
A “maniera” de Miguel Angelo é o que chamo de Maneirismo. As distorções em favor do efeito sensitivo, a emoção e sentimento dentro do mestre da perfeição, são explícitas no “Juízo Final” (1534-1541), quando a beleza e a exatidão dão espaço ao desejo e ao caos, que mais tarde engoliram o Renascimento.
A computação gráfica e os efeitos especiais... O quê? Como? Ah! Sim, desculpe-me, é a esse assunto que deveria me ater e não à arte do Renascimento. Mas a conquista da realidade, que os mestres acima atingiram, é a mesma da computação gráfica, nas devidas proporções.
As obras estão nas telas de cinema, nas prateleiras das locadoras, nos “features” dos DVDs, nas revistas, livros, nos hospitais, indústrias, nos escritórios, nas universidades, nos manuais, cursos, nos comerciais... A realidade dos efeitos especiais também pode estar ligada às boas idéias dos comerciais.
A computação, já é sabido, não se resume a cilindros e esferas cromadas. Podemos viabilizar sonhos e realidades, substituir e/ou incluir. Chover no molhado, no seco, sem nuvens. Flutuar (essa é velha), derreter e florescer num instante. Roteiros?! Somos únicos no “pirimpimpim mágico”. E no famoso “por efeito surge...”
Computação e efeitos de pós-produção, os efeitos especiais são isso mesmo, simplesmente especiais. A ponto de serem imperceptíveis e, concomitantemente, suscetíveis aos olhos e mentes.
Façamos como os Médici, como o cinema americano e a publicidade européia. Vamos com todo o Maneirismo patrocinar os efeitos especiais e os artistas digitais brasileiros, que são tão bons quanto Giotto.

Matérias relacionadas:

tamanho da letra

a a a
Download Comunicação Prêmios Comunicação

BuscaRápida

Esqueci! Cadastre-se
© 2002- Revista About e Portal da Propaganda
Redação - R. Cardoso de Almeida 788, 11º andar - Perdizes - CEP 05013-001 - São Paulo - SP - Tel. (11) 3675-9065
Administração, Publicidade, Circulação e Prêmios - Av. Paulista 352, conj.17 - Bela Vista - CEP: 01310-000 - São Paulo - SP - Tel. (11) 3285-1923