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Entrevista Comunicação

03/04/2006 11:48

Varejão gritado, não! (Paulo Augusto e Marco Antonio Siqueira)

Felipe Turlão

A AMP - Agência Multiface de Propaganda nasceu em 1992, numa época em que o mercado publicitário em Goiás era dominado por anunciantes do varejo e por poucas agências que chamassem a atenção quando o assunto era qualidade criativa. Hoje, a situação é praticamente a mesma, mas o empreendimento liderado pelos irmãos Paulo Augusto Siqueira e Marco Antonio Siqueira, ao menos, trouxe alguns questionamentos e avanços ao marasmo que reinava na criatividade do Planalto Central.

Ao conquistarem seu primeiro cliente, por exemplo, eles sugeriram um realce na verba, que culminaria numa produção mais agradável aos olhos goianos, acostumados com peças de qualidade inferior. Tal feito serviu como portfolio para a AMP, que, durante oito anos, experimentou um crescimento moderado, rejeitando a tática da prospecção feroz.

O trabalho da agência goiana caiu no gosto de grandes anunciantes locais por meio do boca-a-boca, que atraiu nomes como o da rede de eletroeletrônicos Fujioka, até hoje o maior cliente da iniciativa privada em Goiás.

Ela só não é a maior verba da AMP porque, em 2002, os irmãos Siqueira resolveram se aventurar no perigoso mundo das contas governamentais. A herança desse risco calculado encontra-se no fato de ao mesmo tempo em que sofrem constrangimentos, como os que duram desde o estouro da crise do mensalão, saber aproveitar as benesses de atender secretarias dos estados de Goiás e Tocantins, além da Prefeitura Municipal de Boa Vista. Prova disso é que, só em 2005, a agência quase dobrou o seu faturamento em relação ao ano anterior.

Nesta entrevista, os irmãos Siqueira contam os detalhes de uma trajetória vitoriosa que os coloca, hoje, como vozes ativas dos dilemas do mercado publicitário goiano. Muitos deles, analisados de maneira serena e corajosa. Características, aliás, que fazem parte da essência da agência desde sua criação, há 14 anos.

ABOUT – Quais as motivações que os levaram a fundar uma agência de publicidade?
MARCO ANTONIO SIQUEIRA – Quando eu tinha 18 anos, assisti a um programa no qual três jovens criativos explicavam como as coisas funcionavam no ramo: o processo de criação, a produção, os objetivos... Interessei-me e, um ano depois, consegui um estágio de redator numa agência de Goiânia, a Melva, onde fiquei por um ano e dois meses. Como eles eram pequenos, acabei pegando experiência em todos os setores. De lá, fui para a rede varejista Novo Mundo, onde participei da criação de um departamento de comunicação. Durante os quatro anos em que lá fiquei, me tornei conhecido das agências, produtoras, fornecedores e veículos, até porque era responsável pela maior verba do estado na ocasião.
Desde àquela época, senti a necessidade de uma agência que oferecesse uma produção de qualidade, e que tivesse poucos e bons clientes.
Ao sair da Novo Mundo, fui para São Paulo trabalhar como assistente de produção freelance. Quando voltei, chamei o Paulo e montamos a agência, em agosto de 1992.
Mas em novembro do mesmo ano, a Fujioka me convidou para assumir a gerência de marketing; fiquei nas duas funções ao mesmo tempo. Em setembro de 1993, cheguei à conclusão de que não estava me dedicando 100% a nenhuma das duas empresas e decidi ficar só na agência. Ou seja, a AMP está completando 14 anos de fundação, mas tem 13 de atividades.
PAULO AUGUSTO SIQUEIRA – Um pouco antes, em 1989, quando tinha 20 anos, eu fazia faculdade de economia, que até hoje não terminei. O Marco fazia administração. A partir do momento em que ele me convidou, passei a me dedicar e a gostar da publicidade. Um ano e meio depois do início das atividades da AMP, fui para São Paulo fazer um curso na ESPM e arrumei um estágio na Z+G, que era associada à Grey. Quando voltei, já sabia o que era uma agência e assumi a nossa área de mídia e, pouco depois, também o atendimento.

ABOUT – Como vocês analisam os primeiros anos da AMP?
PAULO – Entre 1992 e 2000, tivemos um crescimento gradual. Os primeiros clientes foram a marca de jeans Contraponto e o Consórcio Honorato. A Contraponto nos ajudou muito, permitindo que fizéssemos filmes em película de 16 mm, uma raridade no mercado na época. Isso trouxe uma repercussão inicial muito interessante, pois as pessoas perceberam que não estávamos brincando. Mas, de modo geral, percebíamos um certo conservadorismo no mercado de Goiânia. Hoje, somos reconhecidos pelo diferencial qualitativo, com padrão criativo, ousadia e qualidade de produção.
MARCO – No começo, éramos jovens e não inspirávamos confiança. Convencer um mercado varejista de que boas produções eram essenciais foi difícil. Entretanto, hoje parece que é mais difícil ainda (risos)!

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