Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comNão há coisa pior do que um tema livre. Coloca nossos instintos de criadores à prova, nossos sentidos em alerta. Daí me vem a vontade de escrever sobre essa coisa maravilhosa que é o ato de imaginar, de voar por aí, mesmo sabendo que temos um espaço limitado, que só podemos voar a quinhentos metros de altura, porque precisamos cumprir um briefing.
Se pensarmos bem, veremos que a nossa profissão é uma das mais sortudas do planeta. Somos pagos para imaginar. Criar idéias, soluções.
E como é complexa a cabeça de um criador. Angustiamo-nos quando estamos procurando a idéia. Angustiamo-nos quando a encontramos e a colocamos no papel, na dúvida se seria essa a melhor idéia.
Mas é verdade, também, que nem tudo é angústia. Damos boas risadas quando estamos criando, e aí está uma das coisas mais importantes numa agência: como damos boas risadas, favorecemos um bom astral. Onde eu trabalho, a gente mantém um astral muito bom. Você vê as pessoas se falando, trocando idéias, figurinhas, perguntando o que você acha. De vez em quando, da minha sala, escuto algumas pessoas dando risadas muito gostosas, e acho isso maravilhoso. Procuro cultivar sempre o astral entre os componentes da minha equipe.
Pra mim, alegria combina com produtividade. Quanto mais alegria temos em ir trabalhar, mais produtivos nós somos. Essa alegria é algo que não depende só da agência, óbvio. Tem de vir de dentro. Criadores devem ter sangue de criadores. Devem ter fome de criar. Muita fome. O ato de criar deve alimentar a sensação de prazer de todos, o amor ao ato de criar tem de ser maior que o próprio ego. E geralmente quem tem essa fome toda, esse amor todo, essa garra toda, tem talento.
Um talento nato que só precisa ser colocado pra fora.
adriana.cury@ogilvy.comAdriana Cury é vice-presidente nacional de criação da Ogilvy e vice-presidente do Clube de Criação de São Paulo