Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comVocê provavelmente já participou de alguma reunião com algum cliente que se sentiria mais confortável em aprovar a sua idéia, desde que ela conseguisse comunicar todos os benefícios e diferenciais do produto num único comercial de quinze segundos. E de nada adiantou recorrer a alguns conceitos clássicos de comunicação, como “unique selling proposition”, “one single message” ou qualquer outro termo em inglês que muitas vezes somos obrigados a usar como último recurso, na esperança de convencer o cara de marketing na nossa frente que é preciso focar.
Se você nunca viveu estória parecida na sua carreira, faça uma prece em agradecimento a David Ogilvy ou Bill Bernbach: eles com certeza devem estar olhando por você lá de cima.
Mas se você sabe exatamente do que eu estou falando, tomara que o seu cliente em questão tenha visto o programa eleitoral do PFL, exibido na semana passada, em horário nobre gratuito, que contribuiu para colocar a governadora Roseana Sarney na capa das principais revistas do País. E em segundo lugar na intenção de votos dos eleitores brasileiros para a sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso.
O que estaria por trás desse resultado tão rápido? Um argumento de venda inquestionável e um diferencial competitivo que nenhum dos concorrentes atuais pode oferecer: Roseana é uma mulher. Você poderá contestar, alegando que isso é dizer o óbvio. E é mesmo.
Mas quando o óbvio responde tão bem a um briefing, não há nada mais eficiente que levá-lo às últimas conseqüências; nada será mais estratégico do que extrapolar todas as suas relevâncias. O desafio é transformar o óbvio em algo original.
E, me desculpem os teóricos de plantão, ainda não inventaram fórmula mais inteligente para se criar a tão desejada propaganda de resultados do que a exata combinação entre foco e originalidade.
Se além de todas essas variáveis você ainda tiver uma ligeira desconfiança de que mais da metade da população brasileira irá, no mínimo, se identificar com a sua idéia, parabéns: ela pode ser considerada genial.
andre.eppinghaus@jwt.comAndré Eppinghaus é diretor de criação da J. Walter Thompson e presidente do Clube de Criação do Rio de Janeiro