Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comNão sou cientista político, muito menos especialista em relações internacionais, mas não posso deixar os fatos mais recentes, que invadiram — mais que nossos lares — nossas vidas, passarem em branco. Refiro-me especificamente à guerra. Palavra que aprendemos a temer desde os tempos de criança, e que, confesso, ainda hoje me apavora. Aliás, ainda, não. Apavora mais! Porque hoje somos testemunhas on-line, somos co-partícipes. Dos horrores das cenas, da crueldade, da violência absolutamente indescritível (por mais que no Brasil estejamos cada dia mais expostos a ver e conviver com cenas semelhantes).
Mas esta guerra trouxe fatos novos que fizeram muitas pessoas refletirem, às vezes de maneira até contraditória. E eu me incluo entre elas. Sim, porque se ninguém tinha dúvida sobre o caráter tirano, ditatorial, criminoso até, de Saddam Hussein, tampouco aceitou as pífias e duvidosas alegações americanas para invadir o Iraque, atropelando a ONU e o Conselho de Segurança.
Certamente se, antes, a questão fosse esgotada no campo diplomático e tivesse o apoio internacional, os aliados não teriam a gigantesca oposição popular no mundo inteiro. O que houve, então? É evidente que as pessoas não saíram às ruas para defender Saddam. Saíram para refutar o menosprezo ao Direito. E foi esta, a meu ver, a invasão mais grave. A quebra das regras, a destruição das leis. Pelo país que se auto-intitula Guardião da Lei.
Mas espera aí! Afinal, porque estou eu aqui a falar de algo que todo mundo está mais do que saturado? Porque quero falar exatamente do problema da violação de direitos. Falar do gravíssimo problema da "pirataria". Uma doença que beneficia apenas aqueles que praticam esse tipo de crime e que é hoje uma das "indústrias" que mais crescem, senão a maior. Falsifica-se de bolsas a tênis, de relógios a CDs. Mas a pirataria invadiu também a publicidade, principalmente na nossa área. Como a coisa se processa? Simples: a agência (ou cliente) pede à produtora de som uma cópia de um jingle ou spot, em MP3, e a repassa para as várias emissoras, sem pagar o valor relativo a essas reproduções. Isto, meus amigos, lamento informar, é crime! Proibido por leis nacionais e internacionais. Ocorre da mesma forma quando se quebra uma patente ou se copia uma camiseta da Nike. O cliente não fica no mínimo enfurecido? Ou quando a agência vê uma campanha de sua criação veiculada por um cliente em outra agência? Mandar cópias para veiculação sem autorização e sem a remuneração à produtora original é uma forma, mesmo que não premeditada, de pirataria. Que mexe com o nosso bolso e com a nossa dignidade. Porque usurpa nosso direito. Assim como a guerra.
Estamos mais do que carecas de saber que todos vivemos um dia-a-dia difícil, árduo, batalhado, porém não podemos ultrapassar fronteiras que agridam à Ética e à Lei. Ou, certamente, as conseqüências serão muito sérias. E eu continuo, dentro dos meus princípios, acreditando que, quando partimos para a guerra, para o enfrentamento, já começamos perdendo.
luanova@luanova.com.brThomas Roth é cacique da tribo da Lua Nova e membro da diretoria da Aprosom