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APROSOM

17/04/2003 16:45

Somos seres transformadores

Thomas Roth

Já vai longe o dia em que um dos meus mestres, o jornalista, radialista e publicitário Walter Silva, o "Pica-Pau", me fez entender que cada um de nós é rigorosamente responsável pela realidade que nos rodeia. Ou seja, somos seres transformadores, com capacidade e poder para modificar nosso cotidiano. Do prédio onde moramos à cidade onde vivemos, até mesmo o país.
Mas é preciso mais que vontade. Exige participação, militância, paciência e dedicação. Para a maioria das pessoas, não é fácil abandonar o aconchego e a segurança do lar, depois de um duro dia de trabalho, para comparecer à reunião da Associação de Amigos do Bairro ou da associação de sua categoria profissional, a fim de discutir soluções, alternativas, problemas etc. Não são muitos os que se dispõem a perder, às vezes horas, em debates cansativos, ora maçantes, ora pouco objetivos. Quanto tempo se perde com detalhes muitas vezes insignificantes! Tudo parece uma grande perda de tempo. Mas não é! Não nos damos conta da importância de nossa presença. É um ato político. De defender, e não delegar a terceiros, as escolhas e decisões que, por menores e mais simples que sejam, vão interferir diretamente em nossos destinos. Mesmo que sua opinião não prevaleça, ela ajudará a sedimentar melhor a decisão do grupo. Valendo-se das argumentações das defesas de cada idéia, sementes são plantadas na cabeça de cada participante. Por meio desse diálogo é que podemos nos explicar e/ou entender melhor os outros. E abrindo mão desse direito, ficamos na única condição que resta: aceitar o que os outros definiram.
É por acreditar nisso tudo que continuo comparecendo às assembléias, encontros e reuniões das entidades às quais pertenço. Por crer que, concordando ou discordando, estaremos construindo entidades mais sólidas.
Defendia meu mestre, ainda, a idéia de que só com todos os segmentos organizados, regulamentados e representados é que se pode construir uma sociedade mais justa e, por conseqüência, mais humana, mais civilizada e, quem sabe, mais progressista.
Também, por crer nisso, sempre defendi, e continuo defendendo, o diálogo e a discussão ampla e transparente dos segmentos envolvidos em nossa área publicitária.
Seja com nossos fornecedores (locutores, atores, músicos, produtores, cantores etc.), seja com clientes, agências e produtoras de cinema.
Não podemos mais aceitar mitos falsos, alimentados por anos a fio, nem posturas corrosivas ou predatórias como assistimos até recentemente. Está mais do que na hora de arrumarmos a casa. Não me refiro simplesmente à tarefa de cada um cuidar, reciclar, reorganizar seu negócio. Essa etapa já passou. Quem fez a lição, ótimo. Quem não fez... Mas falo no geral. Da forma como estão sendo conduzidas as nossas relações, hoje, não temos mais saída. Nosso "microcosmo" da propaganda é um reflexo do País. Nossa opção é dar certo ou dar certo. Para que isso se concretize é imprescindível que algumas questões sejam definitivamente equacionadas. Precisamos restabelecer premissas básicas de diálogo e de entendimento. Pautadas na confiança.
É preciso que o cliente, que paga a conta, entenda que agências e produtoras estão a seu serviço em regime de parceria, de comunhão. Não iremos longe com essa política de se definir o quanto se tem para produzir algo que nem sequer foi criado. Baseados em que critérios? Por que a prestação de serviços deve ser tratada dessa forma? O cliente que diz que tem "x" para gastar nesta ou naquela campanha está equivocado. O dinheiro não deve ser gasto, deve ser investido.  Num bom projeto, correto, profissional. Com agências e produtoras que correspondam e respondam às necessidades reais do cliente. Eu já disse isso aqui, mas vou repetir. Interessa ao mercado o sucateamento e a canibalização das agências e produtoras? Será que é esse o futuro que queremos? Certamente, não. É por isso que nós, da Aprosom, estamos revitalizando nossa entidade em todos os aspectos. Para estarmos mais atualizados e sintonizados com a realidade. É bem verdade que, hoje, vivemos novos tempos. Mas eles podem ser de construção e de parcerias sólidas. Acreditamos que com entidades fortes, que dialoguem, que busquem soluções conjuntas, poderemos resgatar a força que o mercado brasileiro já teve.
Como dizia meu mestre, se cada um arrumar sua casa, estaremos arrumando nosso país. Existiria momento mais propício do que este que experimentamos no Brasil? Então, pessoal, vamos trabalhar!

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luanova@luanova.com.brThomas Roth é cacique da tribo da Lua Nova e membro da diretoria da Aprosom

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