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APROSOM

27/09/2002 23:26

Balzaca, mas enxuta

Thomas Roth

A Aprosom está fazendo 30 anos. Para quem não sabe, ou não lembra, é a Associação Brasileira das Produtoras de Fonogramas Publicitários e foi fundada por um grupo de produtores, cujo objetivo, entre outros, era a criação de uma entidade que pudesse ser interlocutora com os outros segmentos da área publicitária — ABA, Abap, Apro, Sindicato e Ordem dos Músicos etc. Além da defesa de direitos autorais/conexos, uma vez que a própria legislação previa a existência de entidade que representasse cada setor de detentores dos respectivos direitos. Esse reconhecimento, da legitimidade da representação desses direitos por entidade, é hoje, inclusive, consagrado pela Constituição brasileira, por artigo pétreo. Ou seja, não pode ser mudado nem por emenda constitucional do Congresso! O que prova a seriedade do tema “Direitos Autorais”, muitas vezes motivo de contestação e discussão entre agências, clientes e produtoras.
Houve um tempo (um longo tempo) em que as agências não só trabalhavam apenas com produtoras da Aprosom como recomendavam esse procedimento, que era, na verdade, sinônimo de segurança e garantia. Quer quanto à qualidade técnica e criativa, quer quanto à certeza do cumprimento dos trâmites legais por parte das produtoras, o que assegurava aos clientes e agências total tranqüilidade. Era uma época em que todos respeitavam as “regras do jogo”. O processo fluía fácil, descomplicado, transparente, sem grandes estresses. Alguns remanescentes podem atestar que, de fato, a coisa toda era mais organizada, menos burocrática, havendo, inclusive, muito mais respeito e confiança.
Importante ressaltar que, já naquela época, se reconhecia que os custos relativos à área dos fonogramas nunca foram responsáveis pela inviabilização de qualquer projeto publicitário (salvo aqueles que envolviam direitos autorais e/ou fonomecânicos de artistas consagrados, obviamente!).
Com os anos 90 e a chegada do pensamento neoliberal, iniciou-se um “empurra-empurra” extremamente perigoso e lesivo aos vários segmentos, por mais que muita coisa positiva também tenha advindo daí. A política de desperdício — quase que uma marca brasileira — começou a ser completamente torpedeada e fez com que todos repensassem seus negócios, enxugando, cortando gorduras, excessos, o que foi, sem dúvida, muito bom. Mas veio junto uma “caça às bruxas”, que deixou à margem dezenas de excelentes profissionais, de agências, produtoras de cinema, de som. Agências tiveram de renegociar seus “fees”, suas margens; produtoras de cinema perderam direitos e produtoras de som passaram a ficar com as sobras de verbas pré-estipuladas por clientes, invertendo-se completamente o processo. Não se perguntava mais quanto iria custar essa ou aquela campanha. O cliente passou a dizer: “tenho tanto”; a agência, a fazer sua ginástica para dividir os valores entre criação, produção, mídia; e as produtoras de cinema e de som tiveram, claro, de se adaptar ao novo modelo.
Parece muito claro para todos que, passados alguns anos de dieta forçada, o mercado inteiro está mais que enxuto, preparado para uma retomada dentro de moldes realistas. Quem se adequou sobreviverá, quem não, sucumbiu ou está bem perto de. Porém, há um risco a ser evitado. O mercado brasileiro, um dos mais fortes e profissionais do mundo, não pode prescindir de agências e produtoras fortes, estruturadas. E entidades! A negociação é mais do que um fato e, hoje, todos estão devidamente preparados. Mas não podemos ultrapassar o limite do ético e, principalmente, dos direitos. E é aí que mora o perigo.
Para que o mercado esteja consciente, esclarecido e não corra riscos de desgastes, além da obrigatória revitalização em outros campos, uma nova diretoria assumiu a Aprosom com o propósito de estreitar os laços entre os vários segmentos do nosso negócio, facilitar a comunicação com o mercado, trazer novas ferramentas, opções e vantagens aos associados (como convênios, por exemplo), entre outros inúmeros projetos. Apesar do pensamento oportunista, predatório e míope de alguns poucos, para que tenhamos uma sociedade justa, correta, evoluída, é preciso que estejamos organizados, com entidades representativas. Seja em associações de bairro, em sindicatos ou Congresso. Não há no mundo nação séria e respeitada sem esse perfil.
Por isso, ao completar 30 anos, a Aprosom quer mostrar que continua, mais do que nunca, desejável!

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luanova@luanova.com.brThomas Roth é cacique da tribo da Lua Nova e membro da diretoria da Aprosom  

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