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APROSOM

09/08/2004 18:33

A flexibilidade do bambu

Thomas Roth

Em qualquer discussão, situação ou trabalho, tenho por hábito a preocupação de procurar observar as coisas por vários ângulos. Não sei se por índole ou por aprendizado, mas tento, sempre que possível, não ficar preso a dogmas, preconceitos e verdades absolutas.

É óbvio que, como criador, tenho mais é que agir e pensar assim. Exatamente por praticar isso ao longo da vida, aprendi que, mais do que justo, é obrigatório que defendamos, com firmeza, nossos pontos de vista, mas respeitemos os dos outros. Às vezes é difícil aceitarmos opiniões divergentes das nossas. Ou nos rendermos a argumentos que destroem nossas convicções. Mas sem "jogo de cintura" não há diálogo. Não se constrói nada sem maleabilidade. Isso não implica dizer que tenhamos de ser submissos, subservientes, nem dizer amém a tudo e a todos. Diz um provérbio oriental que "para resistirmos ao longo do tempo e sermos bem-sucedidos no decorrer da vida, não devemos ser rígidos como o carvalho, mas flexíveis como o bambu. Pois este, diferentemente do carvalho, se dobra, se curva, mas não quebra e resiste às intempéries mais fortes".

O exercício diário de ser publicitário, principalmente nos dias de hoje, tem muito a ver com isso. O de ser produtor de som, ainda mais. Todos sabemos que a publicidade não vê o mesmo "céu de brigadeiro" dos banqueiros, por exemplo. Aliás, não são poucos os segmentos que reclamam das agruras destes dias. Mas, nos adaptarmos às novas realidades, dinâmicas de mercado, conjunturas econômicas, faz parte do viver. E é claro que as produtoras de som, assim como tantas outras empresas, tiveram de se moldar, redesenhar, de acordo com os "novos tempos". E é aí que quero mais uma vez tocar, tudo tem limite. O mercado — e eu detesto ter de dizê-lo assim, porque fica impessoal, ninguém acha que o assunto é consigo — está implodindo um segmento que todos, sem exceção, admitem ser importantíssimo, vital na comunicação publicitária. Poucos têm se dado conta, mas alguns dos mais importantes e premiados profissionais do áudio (não quero e não vou citar nomes) estão saindo da área, ou já saíram. Por simplesmente não suportarem a pressão, por desgosto ou, no mínimo, por desencanto. Neste momento, você, caro leitor, pode perguntar: "E daí? O que eu tenho a ver com isso?" Se você é cliente, agência ou produtora de cinema, tem muito a ver. Porque o que está acontecendo conosco, ou já aconteceu na sua área ou vai acontecer. E vai te atingir, cedo ou tarde. Não se pode construir nada quando, mais do que se desrespeitar as necessidades mínimas de prazo, burla-se a lei. Quando mais do que destinar uma verba insuficiente para produzir, ignoram-se as determinações do direito.

Isto está acontecendo conosco dia a dia. E vai se refletir no trabalho final. É só ligar a TV, ou rádio, pra perceber o que está acontecendo. O que tem de filme malfeito, trilha patética...

Gente, será que as pessoas perderam o critério?

Ou o mundo acabou e ninguém me avisou?

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luanova@luanova.com.brThomas Roth é diretor-geral da Lua Nova e membro da diretoria da Aprosom

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