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APRO

30/05/2003 17:30

Não basta produzir, tem de participar!

Paulo Roberto Schmidt

No próximo dia 30 de junho os produtores vão eleger o novo Conselho de Administração e, conseqüentemente, sua diretoria e presidência. É um momento ímpar na história recente da entidade que representa os interesses dos produtores.
Em dezembro último, a Apro realizou uma reforma do seu Estatuto Social, com o objetivo único de estender sua atuação para a representação da produção de conteúdo, além da publicidade, e ampliar seus órgãos diretivos, permitindo a representação da associação em todos os pólos nacionais importantes.
A entidade dos produtores deve permanecer forte, ser representativa nacionalmente e atuante em todas as questões que envolvam nossa atividade. O objetivo principal da associação é lutar pela profissionalização e organização do mercado. A Apro deve ocupar e conquistar espaços, mantendo um comportamento condizente com o tamanho da sua responsabilidade. Os produtores não podem ter uma entidade pobre de um segmento rico. Afinal, apesar do arrocho de custos, propaganda trabalha com recursos bastante significativos. A atuação da Apro não deve, em hipótese alguma, ser focada na simples disputa por preços. O mercado ainda carece de uma nova forma de trabalhar. Preços serão resultados circunstanciais da organização, normatização, profissionalização e união dos produtores.
Estamos avançando, buscando alternativas e compondo com as demais entidades do mercado publicitário formas inteligentes de melhor gerir o negócio. O mercado está ávido por novas formas e todas as entidades buscam objetivos comuns. Devemos ter grandeza para entender que o nosso negócio será bom se os nossos clientes estiverem conscientes da nossa capacidade e da nossa importância.
O tripé anunciante/agência/produtora, não obstante à relação comercial de cliente versus fornecedor, tem o dever de fortalecer a atividade de produção comercial. Em caso contrário, podemos vê-la fragilizada e incapaz de atender à demanda da propaganda brasileira. Em especial, as agências e os anunciantes são diretamente responsáveis pela subsistência do setor. A qualidade da produção brasileira, profissionais, talentos e infra-estrutura são reconhecidos mundialmente, mas seus custos são totalmente desproporcionais, se comparados a outros mercados. Além do mais, uma fatia significativa dos nossos preços é indexada ao dólar. Essa é a razão principal que leva o reconhecimento da Apro como uma entidade que tem defendido os interesses do mercado e não unicamente da produção comercial. As ações concretas estão presentes e podem avalizar essa intenção. A ação política realizada junto ao governo federal, especificamente com a Ancine, demonstrou que o setor organizado tem força para interferir, negociar e exigir um tratamento digno.
Em breve, mais precisamente no dia 2 de junho, realizaremos o II Fórum de Produção, evento que tem por objetivo apresentar ao mercado todas as negociações efetuadas ao longo dos últimos três anos no que diz respeito às questões da produção, tanto de imagem, quanto de áudio e foto. O envolvimento das entidades, que representam anunciantes, agências, mão-de-obra e elenco, foi fundamental e significativo, provando mais uma vez que a arte da negociação se sobrepõe à da imposição.
Até o próximo dia 9 de junho, os produtores deverão registrar as suas chapas para a próxima eleição. Esperamos realmente que surjam várias chapas, mas não podemos esquecer que a continuidade deve ser o ponto de partida. Os candidatos devem apresentar suas plataformas e os associados têm o compromisso de eleger o melhor grupo que estiver com garra e obstinação para progredir nas conquistas até aqui conseguidas. A Apro tem a responsabilidade de redesenhar, juntamente com as agências, uma nova forma de trabalho. Para isso, precisamos de líderes e representação nacional. As chapas devem compor produtores do norte ao sul do País, respeitar a regionalização e reconhecer a importância da entidade neste momento.
O avanço para conquistas no mercado internacional, com o lançamento, em breve, do projeto "FilmBrazil", demonstra bem o potencial dessa associação. A sua agressividade pode se tornar uma força motora para a ampliação e consolidação do Brasil como um verdadeiro pólo produtor mundial. Mercado aquecido, com mais demanda, resultará em mais trabalhos para todos os associados. Este é o momento de diferenciar os associados. Os mercados nacional e internacional irão reconhecer que o selo Apro significará maior qualidade e eficiência. Portanto, prezados associados, este também é o momento certo de participar, trabalhar pela coletividade e ceder uma parte do seu tempo por sua associação. Vamos às chapas, ao processo eleitoral, às discussões. E que vença a melhor alternativa.

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