Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comNo Premier Print Awards 2003 — promovido pela norte-americana PIA – Printing Industries of America —, o mais importante certame de qualidade gráfica do mundo, a América Latina recebeu 28 prêmios. Dentre estes, 17 couberam ao Brasil. O País também ficou em primeiro lugar no World Calendar Awards, realizado pela Calendar Marketing Association, também dos Estados Unidos, e conquistou duas medalhas de prata no concurso Sappi Trading Printer.
A performance brasileira em competições internacionais, cada vez mais expressiva nos últimos anos, não é fortuita, incidental ou fruto da aquiescência dos corpos de jurados, sempre constituídos por profissionais de alta qualificação. Na verdade, os produtos gráficos nacionais têm hoje qualidade e preço FOB similares aos dos países do primeiro mundo com antiga expertise no setor.
Expresso também no aumento do volume de exportações (cerca de US$ 130 milhões anuais, com perspectiva de atingir US$ 250 milhões nos próximos exercícios), o salto tecnológico da indústria gráfica brasileira — que agregou ao setor o binômio qualidade/preço, fator condicionante do sucesso dos negócios na nova ordem econômica mundial — resulta de uma série de distintas causas e ações conjugadas e intercomplementares. Um dos fatores é relativo aos investimentos em máquinas, equipamentos e processos, que somaram mais de US$ 6 bilhões nos últimos dez anos, uma política de inversões que desafiou a própria conjuntura nacional de juros exorbitantes e escassez de crédito.
Paralelamente, foram ampliados e aperfeiçoados o treinamento e a formação profissional. Neste campo decisivo, as principais iniciativas concentram-se nas ações desenvolvidas pelo Senai-SP, por intermédio da Escola Theobaldo De Nigris, e pela ABTG – Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica. Além do ensino de nível técnico, já ministrado há tempos com grau de excelência, o Senai passou a formar tecnólogos no pioneiro Curso Superior de Tecnologia Gráfica, com duração de oito semestres. Em 2003, o Sindicato das Indústrias Gráficas do Estado de São Paulo facilitou o acesso de profissionais das gráficas a cursos do Senai e de empresários e executivos a cursos de gestão da ABTG, subsidiando 90% do valor e dando prioridade na inscrição às micros e pequenas empresas, que constituem a maioria do setor, tradicionalmente pulverizado em sua composição (característica não só brasileira como mundial).
Alinham-se ao avanço de qualidade da indústria gráfica as pesquisas e elaboração de normas pela ABTG, oficialmente reconhecida pela Associação Brasileira de Normas Técnicas como Organismo Setorial de Normalização. A entidade também é a representante brasileira no Comitê Gráfico da ISO, fator que ampliou o intercâmbio e a troca de conhecimento com instituições técnicas de todo o mundo. Todo o trabalho de normalização agregou padrões de excelência aos processos industriais do setor.
Também é importante salientar o papel desempenhado pelo Prêmio de Excelência Gráfica "Fernando Pini", que em 2003 alcançou sua 13ª edição, com um novo recorde de inscrições. A solenidade de premiação será realizada no dia 26 de novembro, em São Paulo. Criado em 1991 pela ABTG e Abigraf, o certame, cujo nome homenageia um dos mais talentosos mestres em artes gráficas do País, consolida-se como importante referencial de mercado. É vitrina e, ao mesmo tempo, um dos fatores decisivos do avanço na busca permanente pela qualidade.
Investimentos, formação profissional, normas técnicas e concursos destinados a estimular a qualidade constituem o conjunto de ações que ancorou o avanço tecnológico do setor gráfico brasileiro. Isto demonstra que, no cenário da economia contemporânea, as empresas não podem ser ilhas, ou seja, não têm como atuar de forma isolada e dissociada das entidades de classe e instituições técnicas de suas áreas. Essas organizações são fundamentais como catalisadoras e realizadoras de ações voltadas ao desenvolvimento global de seus setores.
abtg@uol.com.brFábio Arruda Mortara é presidente da Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica