Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comConforme indica estudo da Abigraf - Associação Brasileira da Indústria Gráfica, em 2002 o setor exportou US$ 139,1 milhões, com queda de aproximadamente 5% em relação ao exercício anterior. Entretanto, as importações (US$ 160,5 milhões) diminuíram 31,5%. Com isso, o déficit da balança comercial setorial foi de US$ 21,4 milhões.
Para quem não conhece o histórico do parque gráfico brasileiro, este resultado pode parecer muito negativo. Porém, analisado de forma comparativa com os exercícios anteriores, trata-se de um significativo avanço: redução de 75,9% em relação ao déficit do ano anterior, que foi de US$ 88,7 milhões (importações de US$ 234,9 milhões e exportações de US$ 146,2 milhões). Em 2001, o déficit da balança comercial do setor já havia caído 22% em relação a 2000, quando foi de US$ 113,7 milhões.
Verifica-se, na verdade, uma curva contínua de queda, desde 1998. É interessante notar na análise geral do qüinqüênio que o crescimento das exportações é o principal responsável pela melhoria dos indicadores do comércio exterior.
Trata-se de mais um exemplo da vocação exportadora da indústria brasileira, que, de aviões a alimentos processados, tem presença crescente em praticamente todos os mercados internacionais, respondendo hoje por cerca de 60% das vendas externas do País.
As mais recentes estatísticas da balança comercial demonstram que exportar é uma alternativa imprescindível ao crescimento econômico nacional e para o ingresso do Brasil num círculo virtuoso de desenvolvimento, com equilíbrio entre o aquecimento do nível de atividades e o controle monetário da inflação.
O otimismo indicado pelos números, contudo, não pode mascarar a realidade. Apesar do significativo avanço das exportações brasileiras, elas ainda se encontram muito aquém do grande potencial da Nação, não apenas no campo de bens de capital, manufaturados e transformados, como no tocante às próprias commodities. Assim, não se pode acomodar nos atuais números positivos do comércio exterior. É necessário avançar cada vez mais, buscando nos mercados internacionais a geração de renda, empregos e a melhoria geral dos indicadores econômicos e sociais.
Nesse sentido, o aporte de tecnologia é fundamental, conforme lição de casa que, apesar das dificuldades de investimento existentes no País, tem sido feita a contento pela maioria dos segmentos industriais. Porém, também é decisivo ser pró-ativo na prospecção do comércio internacional. Ninguém pode ficar sentado no escritório esperando a chegada de um comprador estrangeiro.
É preciso ação, pesquisa e trabalho. Deste modo, as entidades de classe podem - e devem - atuar firmemente. Essas organizações, que representam os distintos setores de atividades, têm acessos mais amplos a informações sobre mercados, mobilidade nacional e internacional e capacidade de articular ações conjuntas.
Exemplo disso é o programa que está sendo realizado pela Abigraf, por meio de sua Regional São Paulo. Diz respeito aos Consórcios de Exportação, abrangendo grupos de gráficas, que já contam com a adesão de mais de 50 empresas. Essa ação realiza-se em conjunto com a Apex e o Sebrae. Os recursos iniciais são de R$ 7 milhões. Em três anos, o setor gráfico deverá aumentar suas exportações para algo em torno de US$ 250 milhões/ano. Um avanço expressivo, que significará passar de uma balança comercial setorial deficitária para uma superavitária. Na Fispal 2003 - Feira Internacional de Embalagem e Processos Industriais, o consórcio do setor gráfico, com seu novo nome - Graphia (Graphics Arts Industry Alliance) -, teve sua primeira ação perante o mercado em estande especial no evento.
Ter uma economia verdadeiramente globalizada é fator condicional ao desenvolvimento brasileiro. As empresas, com o apoio das entidades de classe, não devem temer o inexorável, ou seja, o livre comércio, a abertura das fronteiras e um mercado mundial competitivo. E o setor industrial - no contexto de uma sociedade cada vez mais urbana e dependente da tecnologia - tem peso muito grande no sentido de potencializar a vocação exportadora do País.
abigraf@abigraf.org.brAlfried Karl Plöger é presidente da Abigraf/ Regional São Paulo e da Associação Brasileira de Companhias Abertas