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ABIGRAF

03/08/2004 17:41

A luta pela prosperidade

Mário César de Camargo

Na esteira do aumento da produção de bens duráveis e vendas no varejo, o setor gráfico começa a apresentar sintomas de recuperação. No primeiro semestre deste ano, 46% do universo de empresários entrevistados em pesquisa da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf) informou investimentos em bens de capital, ante 33% em igual período do ano passado. Essas inversões destinaram-se à diversificação de produtos e à prospecção de novos nichos do mercado (37% das respostas), à renovação tecnológica (32%) e aumento da produção (21%).

Trinta e nove por cento das gráficas informaram que produziram mais. Porém, para 31% das empresas, o índice de ociosidade das plantas permaneceu na faixa de 29% a 10%. O aquecimento apontado pela pesquisa não se refletiu, todavia, nos preços e na rentabilidade do setor, que continuam baixos. A boa notícia é que, mantidas as estimativas macroeconômicas para o ano, a previsão para 2004 é que a utilização média da capacidade instalada do setor fique no patamar de 75%, ou seja, cinco pontos percentuais acima da média do ano passado.

A indústria gráfica, a exemplo do que ocorre com a publicidade, é extremamente sensível às oscilações do mercado em geral. Por isso mesmo, sua performance contribui muito para indicar tendências e aferir, com expressivo grau de precisão, a performance da economia como um todo. A reação do setor, depois de dois anos de morna atividade, pode ser indicativo seguro de que a economia nacional esteja ingressando num novo ciclo de crescimento.

A consolidação dessa tendência, contudo, ainda depende de algumas variáveis. A principal é a retomada, por parte dos agentes econômicos, da confiança nos compromissos assumidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva à época da campanha eleitoral de 2002. A política econômica anunciada pelo então candidato — que certamente contribuiu muito para que mais de 50 milhões de votos lhe permitissem subir a rampa do Palácio do Planalto — ainda não foi cumprida. É compreensível que tenha herdado dívida pública imensa, orçamento comprometido, incapacidade de investimentos e o desafio básico de manter a estabilidade conquistada pelo Plano Real de seu antecessor.

No entanto, lá se vai um ano e meio de governo. É de se esperar que todos os problemas tenham sido equacionados, para que o discurso eleitoral do crescimento e da geração de empregos possa, finalmente, ser convertido em ações práticas. É pertinente abordar o tema neste momento, pois os números da indústria gráfica e de vários outros setores permitem aludir que a conjuntura esteja favorável ao aquecimento da economia. Assim, seria muito bem-vinda a contribuição do governo.

E a classe empresarial não pede muito. Bastariam gestos sutis, como a redução da taxa de juros, linhas mais favoráveis de financiamento da produção e um singelo aceno de que os impostos não irão aumentar além da já insuportável carga tributária. Seria fundamental que o governo tivesse sensibilidade para perceber a conjuntura e auscultar a ansiedade das classes produtivas, cansadas da estagnação e claramente dispostas à luta pela prosperidade. Respaldar esse sentimento positivo seria um passo importante para que 2004 realmente se consolidasse como o ano da recuperação.

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abigraf@abigraf.org.brMário César de Camargo é administrador de empresas, bacharel em Direito e presidente nacional da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf)

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