Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comO Brasil está querendo tanto ser feliz que já começa a atrair – pelo astral psicológico, numa primeira partida e, logo em seguida, pelas diversas esferas dos planos socioeconômicos – parceiros interessados em realmente fazê-lo ser feliz. Por quê? O Brasil quer ser feliz por que está triste? O Brasil quer ser feliz por que teme vir a ser um país triste? O Brasil já é feliz, todavia, não possui ainda suficiente autoestima para acreditar em sua própria felicidade, motivo pelo qual precisa, neste momento, mais do que nunca, favorecer sua própria vaidade?
São tantas as respostas para essas e muitas outras perguntas que gravitam pelo tema que, a bem da verdade, legitimam uma única: o Brasil foi, é e será feliz sendo complexa e simplesmente o Brasil? Já houve um tempo (houve?) que brasileiro “feliz de verdade” passava bem longe da Rua 46 em Nova Iorque, com medo de ser contagiado pelo brega. Mas também já houve um tempo em que uma rica, gostosa e famosa dava piti por falta de champagne em festa – jurando de pé junto que seus saltos chegariam em casa antes dos calcanhares ao se deparar com uma bandeja a lhe ofertar um copo de cerveja – e que, agora, mesmo não dizendo que adora, posa de loira fatal em comercial que promove uma geladinha retornável. Well… o que faria ela se, batendo pernas em cima dos mesmos saltinhos pela Avenida das Américas da Big Apple, em dia de primavera, ao se deparar com a fachada da Macy’s descobrisse, além da apóstrofe posada de vírgula ao contrário no biquinho do ipsilon, a “magical journey” em homenagem ao nosso país não apenas para brasileiros verem, mas também para ingleses, italianos, japoneses, franceses, mexicanos, tailandeses, sul coreanos, africanos, indianos… todos os turistas deles e também eles, claro, os americanos?


Esta rica, gostosa e famosa brasileira – muito provavelmente, além de cheia de charme, cheia de felicidade –, vai entrar correndo numa das lojas da rede de departamento líder dos Estados Unidos, revelando-se encantada com a iniciativa surgida da parceira entre a Macy’s e a Apex-Brasil, ou, parodiando as garotas convidadas do Rodrigo Faro, “vai deixar pra amiga”? Se ela deixar pra amiga, essa amiga pode ser Luciana Gimenez, poderei ser eu, poderão ser todas as brasileiras que estarão na boca do caixa pra comprar mais uma superbe lingerie da Victoria Secret’s – eu a-do-ro –, serão todos os alunos do nível básico do professor Matt no Kaplan ou apenas aqueles que gostam mais do professor David, que não gosta tanto de nada, mas gosta muito mais do MoMA só porque ainda não conheceu (não mesmo?) o MAM (hahahahahaha……)?



Brasileiro gosta é de brigadeiro, moçada, mesmo que não seja dia de festa, nem de lata! É ou não é? E gosta de pipoca. De farinha de mandioca. De se sentir in house quando está inclusive na terra do Mickey Mouse; de andar de Havaianas até em corda bamba; gosta de se esquecer que ele, como bom brasileiro que é, não é terrorista, nunca é, nunca ninguém precisa temer que ele o seja, e é aí que ele também se esquece que se não é terrorista, muito menos é artista pra conseguir manter tudo revelado na fita sem dar fora de turista. E brasileiro gosta de comunista, seja à moda antiga, seja à moda jovial? Ah! Não sei, Millôr, mas não custa perguntar inserindo o dedo no pulso do consumidor, que fica bem melhor quando passeia, não na rua, mas dentro de algum edifício, onde as câmeras gravam corredor por corredor, tipo os das lojas Macy’s, onde, durante a campanha “Magical Journey”, sorriso de brasileiro vai valer ouro, devidamente pago com cartão de crédito internacional… E pra quem não gostar dos produtos, em suas diversas categorias e características ímpares em design em exposição, nada de perturbar as relações de intercâmbio comercial entre Brasil e Estados Unidos, que têm tudo para avançar para patamares cada vez mais profícuos para ambos os lados, ainda mais considerando-se o fato de que se a Apex-Brasil está investindo 1,5 milhão de dólares para apoiar a campanha, em contrapartida nossa nação está recebendo da Macy’s, em doação, cerca de 1 milhão de dólares, por meio da Nature Conservancy, destinados à proteção e conservação da Floresta Amazônica. Noves fora, mesmo sem Nizan, foram apenas 500… mil dólares, no caso da Apex, porém, note bem, 500tinhos quando é do turista o bolsinho no retorno à pátria amada. Só, entenderam?
Veiculando lá pra fazer pegar do lado de cá. Vai que dá?!O conceito “Be Brasil” e as mensagens de todas as peças para veiculação foram criadas pela house agency da Macy’s, como detalhou Martine Reardon, vice-presidente de marketing da Macy´s, em encontro com a imprensa em São Paulo, neste 17 de abril.