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Comunicação

26/01/2011 23:04

JOVENS METROPOLITANOS ANALFABETOS FUNCIONAIS TÊM FUNÇÃO ALÉM DAS FRONTEIRAS DE BRASÍLIA DO SÉCULO XXI?

Fonte: Rose Guirro, Mariana Bevilacqua e Rafael Presilli | Ketchum Estratégia | Débora Kakihara e Taís Bahov | Comunicação Institucional Ibope | (GC)

O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira)/MEC divulga os resultados do Enem 2010 (Exame Nacional do Ensino Médio), que pela primeira vez integrará o processo seletivo das universidades públicas federais, além de constituir o critério de seleção para os estudantes que pretendem concorrer ao ProUni (Programa Universidade para Todos), do Governo Federal, e para o ingresso em cerca de 500 universidades como complemento ou em substituição do vestibular. Nesse contexto, o Instituto Paulo Montenegro e a Ação Educativa revisitam os dados do Inaf Jovens, levantamento realizado em 2009 junto à população entre 15 e 24 anos de nove regiões metropolitanas, analisando seus níveis de alfabetismo funcional, trajetória e expectativas educacionais, com especial destaque para aqueles que planejam ingressar em um curso superior. Esse é o público ao qual, em princípio, estão destinadas as vagas no ensino superior nos próximos anos. O Enem é um mecanismo que pretende democratizar esse acesso. Quais os limites dessa abertura? Que reflexos pode ter na melhoria da educação básica? A perspectiva de ingresso no ensino superior é a alternativa para a maioria dos jovens metropolitanos?

Esta nova análise ressalta o grande desafio à sociedade brasileira de assegurar as oportunidades de acesso a uma educação com mais qualidade e significado para os jovens, que ofereça condições efetivas para, através dela, desenvolverem-se como indivíduos aptos a exercerem com autonomia seus direitos e responsabilidades.

Resultados gerais do Inaf Jovens

Os resultados gerais dessa edição especial do Inaf mostram que cerca de 22% dos jovens metropolitanos entre 15 e 24 anos podem ser considerados analfabetos funcionais. Desses jovens, 3% são analfabetos absolutos (não sabem ler e escrever, exceto números familiares) e 19% são alfabetizados em nível rudimentar (leem textos curtos, como cartas, e lidam com números em operações simples, como o manuseio de dinheiro).


Do total de entrevistados, 51% estavam cursando o Ensino Médio ou haviam concluído esse nível, mas não ingressaram no ensino superior. Só 12% já tinham ingressado no Ensino Superior, enquanto 36% ainda estavam no ensino fundamental.

Perspectivas de ingresso no ensino superior

Pouco mais de um em cada quatro jovens (26%) com 18 a 24 anos que vivem nas regiões metropolitanas das maiores capitais do País estão, em princípio, excluídos da possibilidade de tentar ingressar no nível superior, por não terem sequer ingressado no Ensino Médio.



E mesmo dentre os jovens metropolitanos entre 18 e 24 anos que completaram essa etapa, uma parcela significativa tem limitações de aprendizagem que praticamente inviabilizam a continuidade dos estudos: cerca de 12% dos jovens metropolitanos com Ensino Médio completo ou incompleto e 3% daqueles com Nível Superior completo ou incompleto podem ser considerados analfabetos funcionais.


É ainda significativa a parcela desses jovens (40% daqueles que concluíram ou estão cursando o Ensino Médio e 18% dos que cursam o superior) com nível de alfabetismo Básico e que, embora tenham condições de prosseguir os estudos, poderão ter limitações significativas para absorver o conteúdo que lhes seja oferecido ou contam com suprir, na faculdade, as deficiências acumuladas em sua trajetória escolar.

Os jovens do ensino médio

O Inaf Jovens investigou ainda o grau de conhecimento e interesse dos jovens entre 15 e 24 anos em relação aos cursos ou iniciativas oferecidas para o ingresso no ensino superior: 49% dos jovens metropolitanos que cursam ou concluíram o Ensino Médio afirmam conhecer programas de bolsas para cursar faculdade privada, como o ProUni, porém, somente 20% afirmam pretender participar deles nos dois anos seguintes à realização da pesquisa. Além destes, 10% teriam interesse, mas acham que não têm condições de participar, não preenchem os requisitos necessários ou não acreditam que consigam passar na seleção.



Dos jovens que cursam ou concluíram o ensino médio, 50% conhecem os cursinhos pré-vestibular pagos, sendo que 14% dizem pretender cursar nos próximos dois anos e 12% dizem não terem condições de participar de tais cursos. Em relação aos cursinhos pré-vestibulares gratuitos, 45% dizem conhecer, 22% afirmam ter interesse em participar nos próximos dois anos e 5% afirmam ter alguma dificuldade em participar.





É interessante notar que a percepção das próprias limitações se converte em barreira para a continuidade dos estudos. Com efeito, 60% dos que pretendem fazer cursinhos pré-vestibulares pagos têm nível pleno de alfabetismo, 33% nível básico e somente 7% nível rudimentar. O mesmo ocorre com relação aos cursinhos gratuitos: 50% dos que pretendem cursar têm nível pleno, 42% básico e 8% rudimentar.





Em relação às vagas reservadas para alunos de escola pública ou negros em universidade pública (cotas), 24% daqueles que cursam ou concluíram o ensino médio conhecem esse tipo de iniciativa e 5% dessa mesma população declara ter intenção de usufruir desta possibilidade.



Os jovens no Ensino Fundamental

Três em cada quatro jovens metropolitanos que não estudam ou não completaram o ensino médio gostariam de voltar a estudar no próximo ano.

Entre esses jovens, 28% ainda têm expectativas de chegar à universidade, sendo que 7% esperam apoiar-se no ProUni e 3% pretendem concorrer a vagas reservadas para alunos da escola pública ou negros/indígenas; 11% acham que têm condições de fazer um cursinho gratuito e 7% um cursinho pago.

O nível de alfabetismo desse público confirma a qualificação que se espera dos programas de reposição da escolaridade que poderão acessar: 34% têm nível rudimentar , 43% básico e apenas 17% atingem o nível pleno. A maioria deles é do sexo masculino (54%), com predominância de pardos (43%) e negros (22%).

Para esse público, outras alternativas para o avanço de sua escolaridade precisam ser apresentadas. O Projovem, por exemplo, que oferece bolsa para jovens que querem terminar o ensino fundamental em regiões metropolitanas, foi considerado como uma perspectiva para 22% destes jovens que deixaram os estudos ou estão fora de fluxo; 8% desejam fazer um técnico de nível médio; e 12% almejam uma qualificação profissional básica.

Abrir os caminhos para a profissionalização qualificada

Os resultados do Inaf Jovens sugerem que o Enem pode cumprir um papel importante da democratização do acesso ao ensino superior, perspectiva de inserção no mundo do trabalho e geração de emprego e renda para muitos jovens. Os baixos índices de alfabetismo somados a um conhecimento reduzido das oportunidades voltadas a alunos de escolas públicas ainda constituem limitações a serem superadas.

A democratização do acesso ao ensino superior é uma política necessária, que pode representar novas alternativas para os jovens, que têm tido dificuldades de se inserir no mercado em postos de trabalho qualificados. Mas o panorama geral indica que é necessário democratizar o conhecimento e o acesso efetivo a outras estratégias de profissionalização, em especial ao ensino médio técnico. É certo que seja qual for o caminho, no nível médio, técnico ou superior, para se profissionalizar os jovens precisarão mobilizar habilidades de leitura e escrita que a escola básica não está conseguindo garantir. Esse tem que ser um investimento prioritário dos governos, mas certamente os jovens estarão mais dispostos a investir suas energias no estudo se, além de uma escola básica de qualidade, puderem vislumbrar perspectivas mais promissoras de se tornarem profissionais de nível médio ou superior.

O avanço dos níveis de alfabetismo desse segmento contribuirá para que o Brasil tenha, nas próximas décadas, a liderança de uma geração mais consciente de cidadãos, chefes de família, consumidores, eleitores, produtores de cultura e determinará a qualidade da força de trabalho de um país que pretende, crescentemente, ter um papel relevante no cenário mundial.

Para mais informações consulte, no site www.ipm.org.br, o relatório do Inaf – Indicador de Alfabetismo Funcional – Edição Especial Jovens Metropolitanos, um estudo realizado pelo Instituto Paulo Montenegro e pela Ação Educativa, com o apoio do Grupo Ibope.

Metodologia

Para o Inaf Jovens 2009 foram entrevistados, entre os dias 18 de julho e 1º de agosto de 2009, 1.008 jovens entre 15 e 24 anos residentes nas nove regiões metropolitanas brasileiras de Salvador, Fortaleza, Recife, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Brasília.

O Inaf determina quatro níveis de alfabetismo, de acordo com a tabela abaixo.



Sobre o Instituto Paulo Montenegro (www.ipm.org.br)


Em 2000, o Ibope criou o Instituto Paulo Montenegro, organização sem fins lucrativos que atua de maneira focada e com prioridade definida no campo da educação. O Instituto desenvolve e dissemina projetos que têm como base o know-how em pesquisa das empresas do Grupo e a credibilidade conquistada ao longo de seus 68 anos de atividade.

Sobre a Ação Educativa (www.acaoeducativa.org.br)

A Ação Educativa é uma organização não governamental fundada em 1994, com a missão de promover os direitos educativos e da juventude, tendo em vista a justiça social, a democracia participativa e o desenvolvimento sustentável no Brasil. A capacidade de realização da Ação Educativa resulta do alto empenho de sua equipe e da confiança e colaboração de uma ampla rede de parceiros nacionais e internacionais.

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Em terra de analfabeto, quem tem olho não serve pra nada e leão continua reiÉ interessante notar que a percepção das próprias limitações se converte em barreira para a continuidade dos estudos. Com efeito, 60% dos que pretendem fazer cursinhos pré-vestibulares pagos têm nível pleno de alfabetismo, 33% nível básico e somente 7% nível rudimentar. O mesmo ocorre com relação aos cursinhos gratuitos: 50% dos que pretendem cursar têm nível pleno, 42% básico e 8% rudimentar.

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