Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comQuando iniciei minha vida profissional trabalhando em publicidade (e lá se vão uns 35 anos), layouts eram produzidos com manchas de guache, “bodytexto” e um pouco de Letraset. Hoje, pulam dos monitores para as impressoras com uma qualidade e rapidez que chega a assustar os mais atualizados fãs de “science-fiction”. Potes nem tão elegantes de cola de benzina perdiam-se em meio a papelada da mesa do past-up e não nas mãos de garotos igualmente perdidos na Sé.
No decorrer da minha caminhada – em tempos de aldeia global e de globalização das aldeias – tive a chance de vivenciar, entre questionamentos e hesitações, uma transformação clara em relação aos conceitos presentes nessa atividade que absorve de maneira muito particular a evolução dos tempos. Nota-se, hoje, que a boa publicidade é aquela que não parece com publicidade. Exercícios de aproximação, sem que o pobre consumidor perceba, são realizados com táticas de fazer inveja a competidores frenéticos do jogo War.
Pensando nisso, recuperei na memória a imagem de um dono de armarinho, na Aclimação, bairro onde nasci, em São Paulo. Um árabe muito simpático e eloqüente – como todos da etnia – afirmava com indisfarçável orgulho para seus clientes: "Brodutos da minha lojinha são melhores em qualidade e breço. Pode levar, freguesa!"
Hoje, imagino que quase envergonhado, ele completaria: "É brobaganda, freguesa, mas não espalha!"