Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comHá 12 anos na AlmapBBDO, o redator Robertinho Pereira está deixando a agência para se dedicar a um projeto pessoal: viajar, curtir os netos e descansar. Pereira formou-se em Direito, mas foi atraído para a publicidade por Carlos Wagner e abandonou a linguagem jurídica para se tornar um dos mais prestigiados redatores do Brasil. Em 1975, o profissional conquistou seu primeiro de muitos Leões no Festival de Cannes. Em 2006, foi escolhido para o Hall of Fame do Clube de Criação de São Paulo.
Leia abaixo, na íntegra, o texto escrito por Marcello Serpa, sócio e diretor de criação da AlmapBBDO, sobre a importância de Robertinho Pereira para a agência, bem como para a publicidade brasileira.
O Robertinho não é fácil. Muito menos para um diretor de arte escrever para ele e sobre ele. Qualquer coisa que eu mencione ou deixe de mencionar pode ser mal interpretada por ele com a pergunta: o que você quer dizer (ou não dizer) com isso? Apesar da minha dificuldade, quero que ele saiba que é um puta prazer fazer esse texto sobre um dos melhores redatores que o Brasil já produziu. O único que lembro ter sobrevivido à “fase romântica da propaganda barbuda, scotch 12 anos” e consegue produzir coisas brilhantes na fase “imagem mais produtinho no canto inferior direito” e “não quero fechar portas” da propaganda brasileira.
Ele começou na propaganda com um diploma de advogado pela Faculdade do Largo São Francisco e pelas mãos do Carlos Wagner na antiga Publitec. De lá foi para Thompson, Proeme, com o Enio Mainardi, Salles, MPM, Young e, agora, há 10 anos, aqui com a gente na AlmapBBDO. Para quem não sabe, o primeiro de seus 16 Leões é de 1975, numa época em que era mais raro que um ornitorrinco.
Isso talvez tenha inspirado um diretor de arte da novíssima geração a cometer um erro capital: usar o Robertinho de escada numa reunião interna da agência. Chamou-o de velho, de primeiro namorado da Dercy, cambista do Coliseu, “Corega” de trabalho. Quando esgotou o arsenal de bobagens, disse então que ele poderia ser seu pai. E o Robertinho na maior calma respondeu com apenas três palavras: “Eu não quis”.
Eu poderia listar filmes antológicos, como o da Fiat, com o Lazaroni, o de Singer e as halterofilistas, o do passarinho de Zorba (os malvados perceberam a semelhança com o personagem Piu-Piu, seu alter ego). Sem falar nos trabalhos que fez aqui na agência para Pepsi, Pilão, Volkswagen. Poderia citar os grandes Silvio Lima, Otoniel Santos Pereira, Sergino, Laerte Agnelli, Giba dos Reis e muitos outros nomes que a propaganda esquece tão facilmente. Pessoas com quem trabalhou e com certeza deixaram nele um pouquinho de si.
Mas prefiro ficar na minha admiração por um redator que ainda acredita em coerência na hora de tomar suas decisões. Que age sempre de acordo com as próprias convicções e não as do mercado. Não faz parte de grupo algum, nem mesmo sendo sócio do Clube que o escolheu para o Hall da Fama, e sobrevive brilhantemente a uma quantidade enorme de jovens gulosos pelos jobs mais gostosos da agência. E que o faz com um sorriso interno de satisfação que alguns poucos conseguem perceber.
Marcello Serpa
Pela coerência"Mas prefiro ficar na minha admiração por um redator que ainda acredita em coerência na hora de tomar suas decisões. Que age sempre de acordo com as próprias convicções e não as do mercado. Não faz parte de grupo algum, nem mesmo sendo sócio do Clube que o escolheu para o Hall da Fama, e sobrevive brilhantemente a uma quantidade enorme de jovens gulosos pelos jobs mais gostosos da agência. E que o faz com um sorriso interno de satisfação que alguns poucos conseguem perceber".