Você tem um tio alemão? Eu também não. O mais próximo dos germânicos na família é um austríaco (é fogo!), portanto, creio que não tenho com quem comemorar a brilhante performance das equipes alemãs na área de Design do 58º Festival de Cannes – infelizmente, porque tenho grande admiração pela cultura alemã de modo geral, inclusive pelos trabalhos desenvolvidos para as áreas de negócios que “adotam” artistas de todos os segmentos com o maior bom gosto. Eu poderia comemorar com colegas en passant por aqui, na França, é claro, mas meu alemão não dá nem pra pedir um copo d’água sem o auxílio dos tradutores de idiomas virtuais (culpa do meu tio, um relapso pela falta de diálogo com sua sobrinha mais pervertida no universo das gramáticas populares). Indo direto ao que interessa, então: são 129 pontos para a Alemanha no ranking das nações mais premiadas nesta área, concernentes a 5 Leões de Ouro, 12 de Prata, 8 de Bronze e 10 Finalistas. Simplesmente 87 pontos à frente do segundo colocado, o Reino Unido, que somou 42 pontos com 3 Leões de Ouro, 1 de Prata, 3 de Bronze e 7 Finalistas. E, atenção, aqui a parada é dura, pois não tem aquele monte de pontos advindos de uma porção de Finalistas.

"The Cosmopolitan digital experience"", GP de Design

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Não adianta chorar, Obama, mas nesse quesito tu amargastes o terceiro lugar, se bem que, além de teres levado o Grand Prix de Design, concedido a “The Cosmopolitan digital experience”, da Digital Kitchen Chicago para o The Cosmopolitan of Las Vegas”, ainda tem muita onda boa esta semana para os Estados Unidos pegarem nestas praias paradisíacas. Por enquanto (e já comemorando 111 trabalhos na shortlist de Film), os EUA seguram the place, sem brincadeira de cassino, com 38 pontos relativos ao grande prêmio, 3 Leões de Ouro e 7 Finalistas.
Uau, neste caso, para a Índia, que surpreende ao ocupar a quarta posição, com 32 pontos computados por 1 Leão de Ouro, 3 de Prata, 1 de Bronze e 7 Finalistas. Logo atrás dela estão Suécia e Holanda, com 30 pontos cada, a primeira com 3 Leões de Ouro, 1 de Prata, 1 de Bronze e 1 Finalista; a segunda com 2 Pratas e 20 Finalistas.

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Numa posição também bastante digna, o Brasil divide com o Japão o sexto lugar, por ter somado 29 pontos pela conquista de 2 Leões de Ouro, 1 de Prata, 2 de Bronze e 4 Finalistas, portanto, dois troféus a mais que em 2010, quando nossas equipes receberam 1 Leão de Ouro, 1 de Prata e 1 de Bronze. O Japão recebeu 1 Leão de Ouro a mais que o Brasil com os mesmos 29 pontos (3 Leões de Ouro, 1 de Prata e 3 Finalistas).
Os trabalhos brasileiros distinguidos com Leões são:
Leões de Ouro“O inacreditável está no Emiliano”, da JWT para o Hotel Emilianoda
“Balões”, da Loducca para MTV
Leão de Prata“Livros da virada sustentável”, da Lew Lara\TBWA para Virada Sustentável
Leões de Bronze“Coincidência”, da AlmapBBDO para Escola Panamericana de Arte
“A visão das marcas”, da JWT para ela mesma
Os trabalhos brasileiros que permaneceram Finalistas são:
“Venha, sente e jogue”, da Giovanni+DraftFCB para Jaya Design
“Clássicos da twitteratura brasileira”, da Santa Clara para Suzano Papel e Celulose
“Livros da virada sustentável”, da Lew Lara\TBWA para Virada Sustentável
“Michael Jackson”, da AlmapBBDO para a revista Billboard
“Cobweb”, da Leo Burnett para o Fiat Adventure
Da sétima posição em diante, as pontuações dos países concorrentes são as seguintes:
Canadá – 28 pontos (3 Ouros e 1 Bronze + 4 Finalistas)
França – 27 pontos (2 Ouros, 2 Pratas e 1 Bronze)
China – 23 pontos (2 Ouros e 3 Bronzes)
Austrália – 18 pontos (1 Ouro, 1 Prata e 2 Bronzes)
Espanha – 15 pontos (1 Ouro, 1 Prata e 1 Bronze)
Portugal – 12 pontos (1 Ouro e 1 Bronze)
Tailândia – 7 pontos (1 Ouro)
Emirados Árabes – 7 pontos (1 Prata + 2 Finalistas)
Rússia – 5 pontos (1 Prata)
Cingapura – 4 pontos (1 Bronze + 1 Finalista)
Malásia – 4 pontos (4 Finalistas)
Dinamarca – 3 pontos (1 Bronze)
Peru – 3 pontos (1 Bronze)
Itália – 2 pontos (2 Finalistas)
Filipinas – 2 pontos (2 Finalistas)
Argentina – 1 ponto (1 Finalista)
Hong Kong – 1 ponto (1 Finalista)
África do Sul – 1 ponto (1 Finalista)
Guatemala – 1 ponto (1 Finalista)
Luciano Deos, presidente do Gad’ e da Associação Brasileira de Empresas de Design, presidiu o júri de Design, portanto, teve de agir com a máxima isenção durante as etapas de avaliação dos concorrentes, afinal, não pega nada bem um presidente ficar puxando sardinha pra si mesmo ou para os amigos numa onda como essa, ainda que nesse grupo de amigos se inclua, metaforicamente, toda a população brasileira interessada no avanço dos negócios gerados pelo mercado nacional nos diversos segmentos da economia que empregam o design como ferramenta e alavanca.
Eis porque os jornalistas brasileiros, em encontro reservado com Deos após a coletiva oficial no Palais des Festivals, queriam tanto saber dele o porquê da ausência dos escritórios de design que atuam no Brasil tanto na shortlist como entre os premiados (somente receberam troféus nesta área agências de propaganda que atuam no nosso país, salientando-se que a JWT ficou com dois deles, sendo 1 Leão de Ouro e 1 de Bronze). Antes de explicar com mais detalhes “a ocorrência”, Deos foi tão enfático na resposta como os alemães o costumam ser: “Isso é irrelevante”. “Ah!”, dissemos nós, em coro, os jornalistas brasileiros, dando um tempinho pra ele pensar melhor na resposta.
Obviamente que Deos também se ressente dessa falta de prêmios conquistados pelos escritórios de design brasileiros, mas, primeiramente, ele está correto ao afirmar “irrelevante” se atentarmos para o fato de que em termos de destaque internacional sob a abrangência de um festival como o de Cannes o País se viu muito bem representando com os cinco Leões conquistados, emparelhado em pontos com o Japão, cujos trabalhos em design, como se sabe, são um primor. Segundo, os escritórios de design nacional ainda têm certa dificuldade na fase das inscrições na competição, por carência de estratégia e até verba, mesmo, para cacifar o investimento; terceiro, as agências de propaganda, por sua vez, já sabem de cor e salteado quais os melhores caminhos para chegar lá aqui, sejam nas velhas ou nas recém-criadas áreas do festival; quarto, o mercado brasileiro não vive, ainda, tempos de plenitude nos setores de design, em decorrência do próprio histórico da nação – somos jovens demais culturalmente para gerar gênios designers em grande número, motivo pelo qual creio que Deus ainda nos brinda com Oscar Niemeyer vivo, por exemplo – e, por extensão, inúmeros núcleos de atividades são ainda emergentes no Brasil, assim como nossa economia, por lógica interna associada aos movimentos de expansão e retração de investimentos, inclusive dos investimentos recebidos do estrangeiro.
Dois vídeos ilustram este texto. No primeiro, quem fala é Leslie Smolan, founding partner da Carbone Smolan Agency, uma das juradas que representava os Estados Unidos na competição – Luciao Deos preferiu pronunciar, como presidente do júri, poucas palavras no início da coletiva, em razão do atraso na programação do evento, solicitando, em seguida, que sua colega de profissão desse as explicações detalhadas sobre o Grand Prix. No segundo, você assiste a um pequeno trecho da fala de Deos na coletiva privé com os jornalistas brasileiros.
Abaixo, a lista completa de vencedores da área de Design do 58º Festival de Cannes, com cobertura patrocinada por FilmBrazil, Fisher&Friends e Rede Globo de Televisão.