Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comOlivier Altmann, chief creative officer global da Publicis, sintetiza o rigor do júri de Outdoor nesta 58ª edição do Festival de Cannes em poucas palavras, simpáticas, mas firmes como o esperado de um profissional de sua grandeza: quem tem um trabalho Finalista na shortlist deste ano pode se considerar premiado com um Leão de Bronze, quem ganhou um Bronze pode se orgulhar de ter recebido uma Prata e quem foi agraciado com Ouro deve olhar para o seu trabalho como se ele fosse um Grand Prix. De fato, a lista de vencedores da área aponta para uma avaliação consistente dos profissionais que compuseram a comissão julgadora, que reconheceu, entre os 426 selecionados para a final, somente 18 Leões de Ouro, além do Grand Prix, concedido a “Decode Jay-Z with Bing”, da Droga New York para Bing/Jay-Z. E sob essa ótica pela busca do melhor da propaganda no encontro com as percepções emocionais e racionais dos consumidores, o Brasil se destacou como a nação mais premiada dentre as concorrentes (116 pontos equivalentes a 5 Leões de Prata, 12 de Bronze e 55 Finalistas), porém... sem um Ouro sequer, contra os 3 conquistados em 2010, ao lado de mais 6 de Prata e 12 de Bronze.
Uma pulguinha que, aliás, pode se transformar, na mente de bons entendedores, numa grande borboleta roxa diante da pontuação dos Estados Unidos em sua segunda colocação no ranking: 63 pontos, ou seja, 53 abaixo do Brasil, mas que embutem, além do Grande Prêmio, mais 5 Ouros, 1 Prata, 3 Bronzes e 4 Finalistas. Que primeiro lugar é esse que foi conquistado pelas agências de atuação nacional? Que segundo lugar é esse com jeitão de primeiro abocanhado pelos EUA?
Tem mais: a Alemanha ficou um único pontinho atrás dos norte-americanos, com seus 3 Leões de Prata, 7 de Bronze e 26 Finalistas (62 pontos), sinalizando que há algo muito mais realista nessas seis dezenas do que as alegrias tão subjetivas da centena brasileira, se bem que dado o fato de que nosso mercado fez o maior investimento com inscrições nessa área dentre todos os países participantes, com suas 662 peças enviadas a Cannes (hello, gente boa, matemática também é cultura!), não deixa de ser positivo observar que foi feita a felicidade de um número bem proveitoso de agências no Brasil, valorizando-se atuações locais em vista da amplitude de nossa complexidade geográfica. Pra conferir basta passar os olhos nos nomes das agências que dividem a centena de Finalistas e Leões que enriquecem seus currículos diante de anunciantes de todos os portes e regiões.
De pronto, o que nos vem é mente é que os brasileiros têm muita estratégia para inscrever peças nesta área, têm muito talento para transformar propaganda em peças dignas de serem apreciadas como arte popular, contudo, não podem se negar a aceitar a sugestão de reflexão soprada por esta pulguinha atrás da orelha que o presidente do júri impinge, com suas explicações sobre o padrão de qualidade dos vencedores, aos criadores e anunciantes que atuam no mercado nacional.
Feito o parêntese analítico, voltemos o olhar para o conjunto de 45 países premiados em Outdoor, os quais dividiram os 18 Leões de Ouro, 33 de Prata e 67 de Bronze, afora os permanentes 305 Finalistas. Confira o ranking a seguir, com a sugestão de firmar a visão nas nações distinguidas com Ouro, lembrando que, na opinião de Altmann, este ano eles valem, intencionalmente, um Grand Prix:
Reino Unido – 58 pontos (2 Ouros, 1 Prata, 5 Bronzes e 24 Finalistas)
França – 34 pontos (1 Prata, 4 Bronzes e 17 Finalistas)
Cingapura – 31 pontos (2 Pratas, 2 Bronzes e 15 Finalistas)
Espanha – 30 pontos (6 Bronzes e 12 Finalistas)
Tailândia – 26 pontos (1 Ouro, 2 Pratas, 1 Bronze e 6 Finalistas)
Malásia – 26 pontos (1 Prata, 3 Bronzes e 12 Finalistas)
China – 25 pontos (2 Ouros, 2 Bronzes e 5 Finalistas)
Hong Kong – 23 pontos (1 Prata, 3 Bronzes e 9 Finalistas)
Turquia – 22 pontos (3 Bronzes e 13 Finalistas)
Japão – 20 pontos (2 Ouros, 1 Bronze e 3 Finalistas)
México – 20 pontos (2 Pratas, 1 Bronze e 7 Finalistas)
Índia – 19 pontos (1 Prata, 2 Bronzes e 8 Finalistas)
Indonésia – 18 pontos (2 Pratas e 8 Finalistas)
Emirados Árabes – 17 pontos (1 Ouro e 9 Finalistas)
Dinamarca – 14 pontos (14 Finalistas)
Colômbia – 17 pontos (1 Ouro, 1 Prata e 5 Finalistas)
Holanda – 13 pontos (2 Pratas e 1 Bronze)
Finlândia – 13 pontos (13 Finalistas
Vietnam – 12 pontos (1 Bronze e 9 Finalistas)
África do Sul – 11 pontos (1 Prata e 6 Finalistas)
Equador – 10 pontos (10 Finalistas)
Portugal – 9 pontos (1 Ouro e 2 Finalistas)
Nova Zelândia – 8 pontos (1 Bronze e 5 Finalistas)
Chile – 8 pontos (1 Bronze e 5 Finalistas)
Costa Rica – 7 pontos (7 Finalistas)
Austrália – 6 pontos (1 Bronze e 3 Finalistas)
Suíça – 6 pontos (1 Bronze e 3 Finalistas)
Canadá – 6 pontos (6 Finalistas)
Noruega – 5 pontos (1 Prata)
República Tcheca – 5 pontos (5 Finalistas)
Bahrein – 4 pontos (1 Bronze e 1 Finalista)
Guatemala – 4 pontos (1 Bronze e 1 Finalista)
Itália – 4 pontos (1 Bronze e 1 Finalista)
Suécia – 3 pontos (1 Bronze)
Israel – 3 pontos (1 Bronze)
Bélgica – 3 pontos (3 Finalistas)
Egito – 3 pontos (3 Finalistas)
Áustria – 2 pontos (2 Finalistas)
Panamá – 2 pontos (2 Finalistas)
Bulgária – 1 ponto (1 Finalista)
Taipei - 1 ponto (1 Finalista)
Peru – 1 ponto (1 Finalista)
Para o dono de uma frota de táxis, mais valem, sem dúvida alguma,100 fusquinhas estacionados no meio fio do que uma Mercedes na garagem. Qual o seu ramo de atuação, leitor? Ou, melhor, se você atua numa agência de propaganda, qual a essência primordial do perfil que a justifica como parceira dos anunciantes que se transformam em clientes dela?
Arte popular com muito suor e talento, algumas sem lenço e sem documentoBrasileiros têm muita estratégia para inscrever peças na área de Outdoor e, claro, talento para transformar propaganda em peças dignas de serem apreciadas como arte popular. Todo presidente de júri de Outdoor, vindo de qualquer lugar do mundo, já sabe disso, como não nos deixa mentir Olivier Altmann, líder desta área em 2011.