“A expectativa do Brasil voltar a ser uma estrela de primeira grandeza na área de Cyber ficou para 2009”, publicou, em 2008, a revista About. Repetimos, este ano, o raciocínio, mas estendendo o prazo: “ficou para 2010”. Nem por isso, pode-se falar em decepção quando avaliamos a performance brasileira na área coroada com 1 Leão de Prata, 1 de Bronze e 6 Finalistas (14 pontos), afinal, inscrevemos somente 181 trabalhos, contra os 396 da edição anterior do festival, na qual somamos 2 Leões de Prata, 5 de Bronze e 49 Finalistas. Além disso, é preciso atentar para o fato de que a nação campeã no ranking das mais premiadas em 2009, os Estados Unidos, para receber 1 Grand Prix (Viral) mais 6 Leões de Ouro, 7 de Prata e 8 Bronzes, computando 114 pontos com a adição aos troféus de seus 33 Finalistas, enviou à competição 453 concorrentes, isto é, 39,9% a mais de inscrições na comparação com o Brasil.

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O Reino Unido, também merecedor de 1 Grand Prix (Website), além de 2 Leões de Ouro, 4 de Prata, 5 Bronzes e 16 Finalistas, registrando a marca de 75 pontos, foi mais modesto em suas inscrições, encaminhando a Cannes 202 trabalhos, ou seja, apenas 12% a mais do que as empresas do setor que atuam no mercado nacional.
Surpreendeu, porém, a Suécia que, com 103 inscrições na área, tomou o previsível terceiro lugar da Alemanha, cujo total de concorrentes na primeira largada era 191. Os profissionais suecos vieram com tudo para à caça aos Leões, retornando ao lar com 1 Ouro, 5 Pratas, 4 Bronzes e 8 Finalistas (52 pontos), enquanto os alemães tiveram de se contentar com 1 Leão de Ouro, 1 de Prata, 2 de Bronze e 16 Finalistas (34 pontos), na quinta colocação.
Outra surpresa foi o Grand Prix de Online Advertising, entregue à Austrália (76 inscrições) pela criação de trabalho que complementa a campanha “O melhor emprego do mundo”, da Cumminsnitro para incentivar o turismo em Queensland. Com o mesmo job, a agência conquistou grandes prêmios em outras duas áreas: Direct e PR. Entretanto, o país não passou da sétima posição na área de Cyber, contabilizando 25 pontos (1 GP, 1 Leão de Prata, 2 de Bronze e 4 Finalistas).
Coube a quarta posição entre os países mais premiados da área ao Japão, que entrou na disputa com 149 inscrições e saiu dela com 1 Leão de Ouro, 3 de Prata, 4 de Bronze e 6 Finalistas (40 pontos).
Lá embaixo, na 10ª. posição, ficou, em 2009, o Brasil, mantido entre os vencedores pelas agências DM9DDB (DDB Brasil), que ganhou Leão de Bronze com “Pule mais alto, sinta-se melhor", para a Companhia Athletica; e Sun MRM, autora do Leão de Prata, intitulado “Casa” e assinado pela IHDI – Estação Bem-estar.
“O resultado não significa que o Brasil tem feito trabalhos piores. A questão é que o mundo inteiro acordou para a internet e a está levando para um outro patamar. Costumo brincar, dizendo que, enquanto estamos na pista local, eles já pegaram a pista expressa”, argumentou, após coletiva de imprensa realizada no Palais des Festivals para anunciar os resultados de Cyber, Eco Moliterno, vice-presidente de criação da Wunderman e jurado brasileiro na área, em entrevista concedida à repórter Ana Ferrareze.
O Grand Prix de Website, conquistado pelo Reino Unido, foi concedido a “Eco drive”, da AKQA London para a Fiat.
“Why so serious” foi o trabalho ganhador do Grand Prix de Viral, idealizado pela norte-americana 42 Entertainment para a Warner Bros Worldwide Marketing.
"Os três Grand Prix são indiscutivelmente GPs. Creio que ‘O melhor emprego do mundo’ somente ganhou tanta repercussão global por causa da internet. Eis porque, mesmo premiado em outras categoria, o trabalho australiano também mereceu destaque principal em Cyber", justificou Moliterno, esclarecendo: "'Why so serious?' é um game que mistura online com pistas do mundo real, representando uma ação global realmente global. Por sua vez, ‘Eco drive’ é o mais surpreendente dentre os três pela sua simplicidade: um pen drive que ensina como dirigir sem emitir muito gás carbônico”.
Em sexto lugar, com 27 pontos, distinguiu-se a Espanha (3 Leões de Prata, 3 de Bronze e 3 Finalistas); em sétimo, como já citado, ficou a Austrália; em oitavo, com 23 pontos, a Bélgica (2 Leões de Ouro, 1 de Prata e 4 Finalistas; em nono, a Holanda, com 17 pontos (2 Leões de Prata, 1 de Bronze e 4 Finalistas); e em décimo, como já visto, o Brasil, com seus 14 pontos.
Presidido por Lars Bastholm, chief digital creative officer da Ogilvy North America, o júri de Cyber concedeu, em 2009, além de 3 GPs, um total de 15 Leões de Ouro, 29 de Prata e 33 de Bronze, selecionados entre as 2.205 inscrições recebidas pela área.
A Interactive Agency of the Year 2009 foi a americana Goodby Silverstein & Partners, de San Francisco. Suas concorrentes mais próximas foram a Crispin Porter + Bogusky, de Miami; e a belga Boondoggle, de Leuven.