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Notícias Cannes

22/06/2006 10:53

A força da história e das estórias

Rafael Sampaio, de Cannes

Os dois seminários mais interessantes e que atraíram maior público no quarto dia do Festival de Cannes foram os promovidos por JWT e Leo Burnett.

Em ambos ficou mais do que evidente a imutável e irresistível força da história e das estórias. A história como a informação, descrição e análise dos fatos. A estória como a forma de contar, ainda que pela fantasia, pelo drama ou pela comédia, aquilo que mais profundamente interessa e motiva o ser humano desde que ele se deu conta de sua individualidade e existência independente.

Craig Davis, líder criativo mundial da JWT, recebeu no palco três figuras lendárias do entretenimento e do jornalismo: o ator e ativista Martin Sheen, o produtor e autor Michael Patrick King (de Sex and the city) e a jornalista Arianna Huffington (co-fundadora e editora do www.huffingtonpost.com, que é o mais recente fenômeno da cena jornalística americana).

Sheen tocou na essência da questão do sucesso em comunicação e qualquer forma de arte: “conte uma boa história, com honestidade, e o resto será conseqüência”.

King endossou as duas posições, inclusive afirmando que chegou a recusar um merchandising de um milhão de dólares de uma empresa de bebidas porque ficaria falso na boca da personagem que eles queriam utilizar. Ele também discorreu sobre os limites da ousadia nos meios de comunicação de massa, pontuando que isso é definido pela “capacidade de dar voz ao que já está na cabeça das pessoas”.

Arianna (é assim que assina seus artigos) falou sobre seu site de blogs, que divulga “notícias e opiniões desde 9 de maio de 2005”, e as novas fronteiras do jornalismo, que estão envelhecendo rapidamente muitas das fórmulas consagradas nas mídias tradicionais, devido à sua velocidade, liberdade e capacidade de envolver a audiência que, em boa parte, se transforma em colaboradora da mídia.

Sua receita para obter sucesso em meio a uma clara situação de “poligomedia” está em manter três atitudes: paixão, obsessão e intimidade com a audiência.

Mark Tutssel, líder criativo mundial da Leo Burnett, proferiu o seminário da agência ao lado de Paul Kemp Robertson, editor chefe da Contagious Magazine, e de Ruth Lee, diretora de criação da Leo na China.

Três vertentes foram destacadas pelos apresentadores que buscaram mostrar e explicar os novos caminhos da mídia: a comunicação viral, a comunicação mobile e a comunicação que integra as neo-mídias com as tradicionais.

Foram diversos os exemplos de grande sucesso alcançados em termos de velocidade e extensão de cobertura, envolvimento e retorno – em vendas, atitudes e comportamento – dessas fórmulas mais contemporâneas de comunicação publicitária.

Como ponto comum nesses casos, além da falta de preconceitos contra qualquer alternativa de mídia, pode-se apontar a busca da máxima multisensoriabilidade e o envolvimento do target como co-autores da comunicação.

No final, provando que eles acreditavam no que pregavam, convidaram todos a mandarem seus comentários para www.wildfire2006.com.

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