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Canal Rafael Sampaio

05/02/2010 20:54

QUEM TEM MEDO DA INTERNET?

Rafael Sampaio

Todos? Muitos? Alguns? Ninguém? Não há uma resposta única, pois ela depende da posição do observador, do arcabouço considerado e das circunstâncias da análise. Na verdade, acredito, todos nós deveríamos ter uma boa dose de medo do que a internet está alterando e ainda vai alterar na economia, na política e na cultura da sociedade contemporânea e do mundo daqueles que nos sucederão – estes, em sua boa maioria, os chamados nativos digitais.

Mas, por outro lado, ninguém deveria ter medo-de-ter-medo da internet, pois o enfrentamento dos desafios que ela nos impõe tem o potencial de gerar um mundo melhor para todos e para cada um de nós. Porque a internet está desestruturando nossas vidas – ou reestruturando, dependendo do ponto de vista – e praticamente nada escapou ou escapará de ser alterado por sua ação direta ou indireta. O que nos leva, dependendo do momento, a ter ou a não ter medo de suas atividades.

Até este artigo é bom exemplo dessa perspectiva dicotômica de ter ou não ter medo da internet. O lado bom do universo digital, por exemplo, é que entre a idéia de escrevê-lo, sua redação, edição e publicação não se passaram mais de 90 minutos. No século passado, que durou até agora pouco, o padrão começou com meses e terminou em dias, a custos bastante elevados, para que alguém conseguisse colocar algum pensamento escrito à disposição de seus prováveis leitores. Hoje, isso é muito rápido e barato.

Mas, por outro lado, essa facilidade gerou uma demanda por produtividade e uma pressão por velocidade realmente extraordinárias. Vamos ver: final da primeira semana de fevereiro, a poucos dias do carnaval, e de repente a constatação de que faltava matéria para renovar a “home” do Portal da Propaganda, ávido por novidades. Geralmente quem cuida disso é a Gisele Centenaro, criadora, editora e publisher deste portal, que está off-line, fazendo a viagem de volta de New Orleans, onde foi cobrir um evento de... internet, como os leitores mais assíduos já sabem, pelos primeiros relatos que ela publicou de lá.

Enquanto eu buscava um assunto, um press-release interessante ou inspiração, veio à mente uma resolução de ano novo que não havia conseguido cumprir em janeiro: voltar com minhas análises no Canal Rafael Sampaio – congelado há um ano e meio, por falta de tempo mínimo para me dedicar a ele.

E o tema estava ali, à frente dos meus olhos, que seguiam os dedos tontos de tanto buscar e selecionar as muitas dezenas de emails que haviam entrado nas últimas horas, com assuntos tão variados quanto material jornalístico não-solicitado e solicitado para o próprio Portal, as revistas About, Briefing e da ABA; emails com propostas e negociações de anúncios; questões da ABA e das demais entidades do mercado brasileiro; assuntos da WFA, OMS e outros organismos internacionais; trabalho de minha consultoria na área jurídica; coisas práticas como reserva de hotel e compra de etickets; e mais uma bateria de spams de todos os tipos.

O tema evidente era a internet, que entusiasma pela facilidade, quantidade e qualidade de acesso a comunicação de todos os gêneros e finalidades; mas que atemoriza pela pressão por uma permanente interatividade que ainda não sabemos como administrar com sabedoria.

A internet que permite uma radical transformação na disseminação da informação, do conhecimento e da cultura. Mas que tudo banaliza e retira aquele sabor de vitória quando, no passado não muito remoto, a gente conseguia saber alguma coisa que desejava muito saber. Que pode entregar de tudo, mas nem sempre o faz com a profundidade e isenção adequadas.

A internet que traz pela primeira vez na história da humanidade a perspectiva da democracia plena e abrangente, gerando “empowerment” para o cidadão. Mas que assusta pelo potencial de invasão de privacidade – originado de autoridades públicas, ações de marketing e voyeurs em geral.

A internet que está fazendo de nossos filhos e sucessores uma geração mais rápida, mais bem informada, mais conectada. Mas que lhes retira o tempo da reflexão e o envolvimento mais próximo com os sustentáculos emocionais de sua existência.

A internet que facilita as atividades profissionais e organizacionais de cada um e de todos, permitindo que haja um extraordinário ganho de competitividade para você... e para seus clientes e seus concorrentes; zerando rapidamente a posição no jogo de cada um de nós – o que gera a constante elevação dos padrões competitivos, mas acelera a velocidade de obsolescência dos sistemas e processos.

A internet que está nos fazendo maiores e mais presentes em muitos lugares, corações e mentes. Mas a mesma internet que nos reduz a uma conexão perfeitamente dispensável, nos ancora na frente de uma tela que esteja plugada e nos retira o calor das relações físicas.

Quem tem medo da internet? Eu tenho, você tem, nós temos. Porque sim, devemos ter. Porque não, não devemos ter.

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O lado bom e o lado ruim da internetA internet facilita as atividades profissionais e organizacionais de cada um e de todos, permitindo que haja um extraordinário ganho de competitividade para você... e para seus clientes e seus concorrentes; zerando rapidamente a posição no jogo de cada um de nós – o que gera a constante elevação dos padrões competitivos, mas acelera a velocidade de obsolescência dos sistemas e processos.

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