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Canal Rafael Sampaio

30/04/2008 16:54

A queda no valor da intermediação comercial

Rafael Sampaio

Ao participar recentemente do Festival de Mídia de Veneza, ficou muito evidente, para mim, um fato de grande relevância para praticamente todos os negócios em todo o mundo: a constante queda no valor da intermediação comercial. Ao cruzar a laguna algumas vezes, de vaporetto ou de water-taxi, após um importante debate que aconteceu no evento (já relatado pelo PortaldaPropaganda.com e que pode ser lido aqui), e ao rever prédios com séculos de história, lembrei-me que durante quase toda a primeira metade do milênio passado aquela cidade foi um dos principais centros da atividade mercantil do planeta; época na qual os lucros da intermediação comercial, quando existiam, eram fenomenais.

Isso aconteceu antes mesmo da Renascença e das grandes viagens portuguesas e espanholas e teve em Marco Polo seu símbolo mais exuberante. Nesse período, o empreendedor poderia tanto morrer como ir à falência ou ficar milionário com uma única expedição mercantil, que chegava a durar anos.

Foram os elevados riscos e lucros desses empreendimentos que levaram, inclusive, à criação de três coisas essenciais para a economia moderna: o banco, a companhia de seguros e o conceito da sociedade por cotas. Todos eles empreendimentos feitos justamente para levantar capital, distribuir riscos e repartir lucros (quando eles existiam).

No Festival de Mídia de Veneza puderam ser observados sinais evidentes de que nos próximos cinco a 10 anos estará em curso uma mudança importante no sistema que concentra da compra e venda de mídia por meio das agências – sejam full-service ou sejam de mídia. A área de procurement (ou seja, de suprimentos ou compras) dos clientes estará assumindo um papel preponderante nesse processo e isso levará com certeza à redução das margens para a tarefa de intermediação comercial.

As agências de comunicação de qualquer tipo terão, por conseqüência, que desenvolver novas capacidades e predicados para manter sua relevância para os anunciantes e sua própria rentabilidade; principalmente em termos de inteligência de gestão, de talento propositivo e de eficácia logística da operação.

Esse fenômeno da redução do valor da intermediação não se limita ao setor de B2B (negócios entre empresas), mas é uma realidade cada vez mais presente no B2C (negócios entre empresas e consumidores) e até no C2C (negócios entre consumidores e consumidores).

O que todos teremos que desenvolver – ou aprender, conforme o caso – é saber como cobrar um preço superior pelo valor da idéia ou uso do sistema em si, pela prestação de serviços e por qualquer outra forma de agregação de valor ao processo comercial.

Um exemplo até certo ponto pioneiro e que foi bastante incentivado pela expansão da internet é o mercado de turismo, no qual as tradicionais agências de viagem perderam muito espaço e atualmente ganham muito pouco pela intermediação. Elas estão fazendo dinheiro principalmente através do bundling (agregação de produtos e serviços, os famosos “pacotes”) e na prestação de serviços em si. Serviços que ainda estão sendo pagos pelo lado dos vendedores na maioria dos casos, mas que, muito em breve, passarão a ser pagos também pelos compradores.

No caso da propaganda e da comunicação de marketing em geral, esta já é uma realidade em alguns mercados e categorias, mas que está se espalhando para todos os negócios e mercados. Ou seja, nosso negócio está vivendo um processo de transformação radical em sua natureza, o que levará à extinção de muitas organizações, ao surgimento de inúmeras outras (com proposições diferentes), e à sobrevivência e expansão apenas daquelas que entenderem e souberam competir pelas novas regras do jogo – aliás, dos jogos.

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Um exemplo amplamente conhecidoUm exemplo até certo ponto pioneiro e que foi bastante incentivado pela expansão da internet é o mercado de turismo, no qual as tradicionais agências de viagem perderam muito espaço e atualmente ganham muito pouco pela intermediação. Elas estão fazendo dinheiro principalmente através do bundling (agregação de produtos e serviços, os famosos “pacotes”) e na prestação de serviços em si. Serviços que ainda estão sendo pagos pelo lado dos vendedores na maioria dos casos, mas que, muito em breve, passarão a ser pagos também pelos compradores.

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