Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comO economista John Kenneth Galbraith profetizou no título de uma de suas obras mais conhecidas, A era da incerteza, de 1977, como o mundo se conformaria nas décadas seguintes. Ao traçar a história do pensamento econômico, tema do livro, ele constatou o óbvio: não há certezas no mercado. Isso fica menos evidente em épocas mais longas de tranqüilidade, quando se tem a ilusão de que o vulcão das forças econômicas encontrou seu equilíbrio e jamais voltará a entrar em erupção e transformar todo o ambiente que o cerca. Mas a verdade é cristalina quando passamos por períodos nos quais o chão, literalmente, parece fugir de nossos pés a cada passo que damos em direção ao futuro.
Não há dúvida, no momento presente, que vivemos nessa época transformadora de profundas incertezas; do gênero, como bem sintetizou o filósofo e paleontólogo Teilhard de Chardin, de “era de viragem”, na qual tudo parece estar em transformação radical. Além disso, é uma era de extraordinárias convergências – para o bem e para o mal. E mais uma vez, a mencionada obra de Galbraith tem tudo a ver, pois na sua origem não foi pensada como um livro, mas como uma série de TV produzida pela BBC.
Escrevo isso aproveitando a oportunidade de ter sido convidado a apadrinhar duas turmas universitárias que se formam nesta semana. Uma delas, de Publicidade e Propaganda, na Facnopar, de Apucarana, tem apenas oito formandos de uma turma original de 24, a primeira na área a ser constituída naquela universidade do norte do Paraná. A outra turma, de Administração com Habilitação em Marketing, Administração Geral, Comércio Exterior e Ciências Econômicas, é da Uninove, em São Paulo.
Existe alguma convergência entre essas turmas além do padrinho comum? Sim e diversas. Vou enumerar apenas algumas: o fato de que os formandos enfrentarão um mercado de trabalho ao mesmo tempo muito difícil e pleno de oportunidades, sendo que as dificuldades são evidentes e as oportunidades precisam ser garimpadas; o fato de que as áreas profissionais já não têm limites tão claros e se faz necessário uma capacitação bem mais abrangente, sem prejuízo da especificidade diferenciadora; o fato de que a formação em nível superior, por mais privilégio que ainda represente em um país de baixo índice de educação formal, como o nosso, já não assegura o futuro de ninguém; o fato de que todos terão que prosseguir indefinidamente seus estudos, sejam verticais, em seu campo de especialização, sejam horizontais, nas diversas ciências, técnicas e artes que se convergem de modo transversal nas atividades às quais pretendem dedicar-se.
Existem incertezas no horizonte daqueles que viram uma importante página de suas vidas nesta semana? Sim e muitas. A começar pelo fato de que os caminhos daqueles que se formam aqui em São Paulo talvez prosperem no interior do Brasil e que a senda do sucesso daqueles bravos de Apucarana talvez passe pela capital paulista. Ou por outros interiores e outras capitais. Do Brasil ou de qualquer outro país.
Porque o lado bom – e, ao mesmo tempo, ruim – dessa era das incertezas e das convergências é que não existe mais receita estabelecida de sucesso; nem espaço físico obrigatório para se trabalhar; nem a determinação do formato de empreender; nem mesmo a segurança de que aquilo que se aprendeu ontem e se sabe hoje é o mais relevante para se enfrentar as batalhas da próxima semana.
Mais do que nunca, a vida profissional de todos esses jovens formandos, assim como a de todos nós, é aquilo que o maior intelectual vivo, Umberto Eco, chamou de “obra aberta”. Você pode seguir os cânones, ou não. Pode alterá-los, pode inventá-los. O fundamental não é mais o método e o formato, mas a qualidade do resultado alcançado.
Obra abertaMais do que nunca, a vida profissional dos jovens formandos, assim como a de todos nós, é aquilo que Umberto Eco chamou de “obra aberta”. Você pode seguir os cânones, ou não. Pode alterá-los, pode inventá-los. O fundamental não é mais o método e o formato, mas a qualidade do resultado alcançado.