Portal da Propaganda www.portaldapropaganda.comEm sua longa carreira, o genial baixinho levou muitos técnicos à beira da loucura e deixou milhares de torcedores com ganas de apertar seu pescoço em muitas ocasiões; mas, em compensação, marcou gols em número raramente alcançado por seus colegas de profissão. Romário desenvolveu um estilo próprio, fundamentado em sua malícia, talento, sorte e... preguiça. Romário soube explorar como poucos suas virtudes como forma de compensar suas deficiências e conseguiu seu lugar ao sol do futebol e da cultura nacional. Até aí, mais um gol de Romário.|
O problema é que seu “exemplo” tem sido imitado e utilizado de forma “esperta”, porém improdutiva, por um grande número de profissionais de todos os setores, que em quantidade crescente ficam na “banheira” do campo esperando a bola passar a seus pés para chutar a gol.
A grande questão é que não há espaço para tantos romários e a esmagadora maioria deles não tem o talento e a sorte que fizeram do baixinho carioca um destaque, e não mais um dos milhares de anônimos frustrados em sua tentativa de se transformarem em goleadores. Romário é a exceção, não a regra. Mas tem muita gente por aí que não entendeu isso e fica tentando seguir uma estratégia de pouco futuro para a quase totalidade dos profissionais e para todas as empresas nas quais eles estejam trabalhando.
Uma dificuldade adicional é que os romários estão se multiplicando em todos os setores, impulsionados por fatores como a deficiência de formação, falta de ânimo, insegurança, preguiça mental e, não menos importante, as facilidades da própria tecnologia. Na área de vendas, por exemplo, se estabeleceu a praga do piloto automático do envio de emails com mensagens banais e genéricas, fazendo ofertas “especiais” e oferecendo “oportunidades” que não emocionam praticamente ninguém e que levam a retornos absolutamente pífios.
Uma variante da técnica, ainda mais dramática, é ficar enrolando diante da tela do computador e ao lado do telefone, esperando que algum cliente entre em contato querendo fazer negócio e precise da “intermediação” do plantonista para fechar negócio. Para que a “estratégia” dê certo, porém, o romário em questão precisa mandar uma grande quantidade de emails e ficar a maior parte do tempo sentado imóvel em sua cadeira.
Em ambos os casos, os resultados para a empresa são desastrosos. O produto é banalizado e desvalorizado e os custos de manter a estrutura física e de telecomunicações, além de prover o sustento mínimo do romário, age como um terrível agente corrosivo do market share e da rentabilidade da empresa.
Não pense o leitor que estamos falando de uma ou outra organização. Basta olhar à sua volta, na própria empresa, para o colega ao lado ou – atenção – para a própria imagem refletida na tela do computador quando ele está sendo ligado ou desligado (se isso acontece, pois há casos mais graves nos quais nem mesmo esses movimentos são feitos com freqüência). Os romários estão por toda a parte, inclusive dentro de nós mesmos.
Tem romário nas lojas, tem romário na sua casa, tem romário do outro lado da linha quando você precisa de uma informação urgente, tem romário servindo as mesas de bares e restaurantes, tem romário conduzindo no trânsito, tem romário na chefia, tem romário entre seus colegas e subordinados, tem muito romário que você paga – direta ou indiretamente, tem romário ocupando a vaga que pode ser sua, tem romário travando o crescimento do seu negócio e da atividade como um todo.
Lanço, portanto, a campanha anti-síndrome de Romário. Vamos nos unir contra esse insidioso mal dos tempos modernos, que pode acometer a todo mundo, inclusive nossos colaboradores mais próximos, nossos familiares mais queridos e até você, caro leitor, e eu mesmo.
Se a campanha não der certo e não diminuir o número de romários, teremos que partir para um movimento mais drástico e criar os RA - Romários Anônimos. E a novela das oito terá mais um bom tema para desenvolver, colocando um famoso de ocasião a recitar para seu espelho antes de dormir: “hoje eu não fui um romário...”
Tem romário em toda a parteTem romário nas lojas, tem romário na sua casa, tem romário do outro lado da linha quando você precisa de uma informação urgente, tem romário servindo as mesas de bares e restaurantes, tem romário conduzindo no trânsito, tem romário na chefia, tem romário entre seus colegas e subordinados, tem muito romário que você paga – direta ou indiretamente, tem romário ocupando a vaga que pode ser sua, tem romário travando o crescimento do seu negócio e da atividade como um todo.