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Canal Rafael Sampaio

08/08/2007 11:17

O anuário do povo

Rafael Sampaio

Entre os muitos fenômenos gerados pela explosão da internet como meio de comunicação comercial, facilitador de relacionamento pessoal e instrumento de expressão individual, está o intenso envio de mensagens virais – sejam elas meras retransmissões, sejam interferências nas obras originais de terceiros, sejam elas de produção própria do internauta.

Essas modernas “correntes” de textos e imagens vão recebendo adições ou sofrendo restrições à medida que percorrem o planeta, pois na internet não existem barreiras nem lógica que impeça o receptor-transmissor de incorporar seu próprio “ato editorial” à mensagem recebida que o emocionou de alguma forma.

Dessa forma, cada qual dá vazão a seu sentimento de protagonismo e de reação a ser um mero espectador dessa verdadeira aldeia global que a www estabeleceu.

Assim, qualquer pessoa razoavelmente conectada com um network médio corre o sério risco de receber pelo menos um desses e-mails virais, que incluem de casos de pacientes precisando de ajuda a fotografias deletérias, de peças de propaganda a “revelações” sensacionais.

No caso das peças publicitárias, quais seriam os critérios dessa espécie de “anuário do povo”? Eles são inúmeros e quase insondáveis, como os fatores que fazem com que algumas obras artísticas sejam um enorme sucesso e outras fracassem fragorosamente, como o surgimento (e o desaparecimento) de modas, expressões lingüísticas e manias da população.

Existem alguns traços comuns nessa seleção espontânea do melhor da propaganda na visão única e exclusiva do povo, consumidor ou não de um determinado tipo de produto?

Analisando um desses e-mails que vêm correndo o mundo e que talvez o próprio leitor já tenha recebido, pode-se destacar algo como o grandioso e o singelo, mas sempre simples e direto; surpreendente, via de regra, mas com certo aspecto de rotina, de algo absolutamente natural; fantasioso, mas com alguma sólida conexão com a realidade; inteligente, sempre, pois tudo indica que as pessoas detestam propaganda burra; honesta, com certeza, pois a última coisa que alguém admite é a tentativa de uma mensagem de vendas tentar lhe passar a perna; com âncoras no humor e no drama, duas formas de expressão de elevada capacidade de atração, como se sabe.

Na seqüência que destaca peças de mídia exterior, a seguir reproduzidas, pode-se ter a confirmação de todos esses predicados. Tem a grandiosidade da bola gigante que sai do prédio ou das figuras combinadas do atleta que “atravessa” edifícios, mas tem a singela sacada da tampa de bueiro que lembra uma xícara de café e o “cenário” no ponto de ônibus; tem a porrada da vaga reservada para os motoristas bêbados e o simples estruturado do megabarbeador que corta a grama.















Na seqüência sobre mídia impressa, tem a sensualidade do anúncio do Google e do pôster da Levi´s, tem o intrigante do gato que passa pelo buraco do rato, tem o tapa na cara da própria perna sendo consumida pelo fumante, tem a estética a serviço do destaque das características de um produto, tem a simbologia das mudanças do comportamento das pessoas diante das mídias.



















Na série de sacolas de compras, temos algumas das peças mais simplesmente inteligentes, com uso perfeito da foto e da ilustração, com imagens de grande eloqüência, com a ativa participação do consumidor na complementação e disseminação da mensagem publicitária.













Todos nós envolvidos com a comunicação das marcas devemos analisar com muita atenção esse e outros “anuários do consumidor” que chegam aos nossos olhares, pois eles oferecem lições mais valiosas do que a maioria dos resultados das competições do ramo. 

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Grandioso e singeloOs predicados das peças publicitárias que atingem a excelência, na visão dos consumidores, são vários e até mesmo podem parecer paradoxais em alguns casos. Mas o observador atento irá listar uma série de pontos de presença constante, como a inteligência, o surpreendente, a honestidade, a fantasia possível, a sensualidade, a estética, a carga simbólica, o drama, o humor e a ativa participação do consumidor na complementação e disseminação da mensagem.

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